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quarta-feira, 27 de julho de 2016

“O DRAMA DA MORAL CATÓLICA”. OUVIMOS A ADVERTÊNCIA DO CARDEAL RATZINGER?


Valter de Oliveira



Em 1985 foi publicado o livro “A fé em crise? O cardeal Ratzinger se interroga. Nele, em entrevista a Vitorio Messori, o então prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, aborda a questão da crise da Igreja no mundo contemporâneo. Citamos aqui partes do capítulo VI, “O Drama da Moral”. Os destaques em negrito são nossos. Cremos que o artigo é de suma importância para entendermos o que está acontecendo hoje na Igreja (V.O.).



Cardeal Ratzinger
Cardeal Ratzinger: “A mentalidade atualmente dominante agride os fundamentos mesmos da moral da Igreja, que, como observava há pouco, se permanece fiel a si mesma corre o risco de parecer um anacrônico e inoportuno corpo estranho. Assim, para tentar ser “críveis” os teólogos morais do Ocidente acabam por deparar com uma alternativa: parece-lhes terem de escolher entre a divergência com a sociedade atual ou a divergência com o Magistério. Conforme o modo de enunciar a questão, é maior ou menor o número daqueles que preferem este último tipo de discordância e que, consequentemente, se põem à procura de teorias e sistemas que permitam meios termos entre catolicismos e as concepções correntes. (...) Essa diferença crescente entre Magistério e “novas” teologias morais provoca consequências incalculáveis” (...) (p. 61,62)

(...) Hoje, o âmbito da teologia moral tornou-se o ponto principal das tensões entre Magistério e teólogos, especialmente porque nele as consequências tornam-se imediatamente visíveis. Poderia citar algumas tendências: algumas vezes são justificadas as relações pré-matrimoniais, pelo menos em certas condições; a masturbação é vista como um fenômeno normal no crescimento dos adolescentes; a admissão dos divorciados recasados aos sacramentos é continuamente reivindicada (1); o feminismo, mesmo o radical, parece ganhar terreno a olhos vistos na Igreja, especialmente em algumas Ordens religiosas femininas (2) (...). Até mesmo com relação ao problema do homossexualismo existem tentativas de justificação: aconteceu até que bispos, por insuficiente formação ou por um senso de culpa dos católicos para uma “minoria oprimida”, puseram a Igreja à disposição dos gays para as suas manifestações.  Há ainda o caso da Humanae Vitae, a encíclica de Paulo VI que reafirma o “não” às contracepções e que não foi compreendida, pior ainda, foi mais ou menos abertamente rejeitada por vastos setores eclesiais” (p.62).

Vittorio Messori
“Depois, diz Messori, o cardeal explica como o desenvolvimento de certa teologia moral foi gradualmente minando os “argumentos fundamentais da teologia fiel ao Magistério”. Ele explica como, a partir dos anos 30 e 40 “alguns teólogos moralistas católicos, partindo do ponto de vista da filosofia personalista, começaram a criticar a unilateralidade da orientação da moral sexual católica com relação à procriação. Eles chamavam a atenção, sobretudo, para o fato de a abordagem clássica do matrimônio no direito canônico, a partir dos seus fins, não exprimir plenamente o fenômeno propriamente humano” (63)

“Esses teólogos personalistas – é dito logo depois, influenciaram o Concílio que “acolheu e confirmou os melhores aspectos dessas reflexões. Mas justamente então começou a se manifestar uma outra linha de desenvolvimento. Enquanto as reflexões do Concílio se baseavam na unidade de “pessoa” e “natureza” no homem, passou-se a entender “personalismo” como contraposto a “naturalismo”, isto é, como se a pessoa humana e suas exigências pudessem entrar em conflito com a natureza. Dessa forma, um personalismo exagerado levou teólogos a negar a ordenação interna, a linguagem da natureza (que é aliás, por si mesma moral, como afirma o constante ensinamento católico) deixando à sexualidade, também conjugal, como único ponto de referência a vontade da pessoa”. (63).

(...) “Imediatamente após o Concílio, começou-se a discutir se existiam normas morais especificamente cristãs. Alguns chegaram a concluir que todas as normas podem ser encontradas também fora da ética cristã e que, de fato, a maior parte das normas cristãs foi tirada de outras culturas, em particular da antiga filosofia clássica, especialmente a estoica. Desse falso ponto de partida chegou-se inevitavelmente à ideia de que a moral deve ser constituída unicamente à base da razão e que essa autonomia da razão é válida também para os crentes. Não mais Magistério, portanto, não mais o Deus da Revelação com os seus mandamentos. Com efeito, existem hoje moralistas “católicos” que afirmam ser o decálogo, sobre o qual a Igreja construiu sua moral objetiva, um mero “produto cultural” (3) ligado ao Oriente Médio semita. Portanto, uma regra relativa, dependente de uma antropologia e de uma história que não são mais as nossas. Volta aqui, pois, a negação da unidade da Escritura, reaparecendo a antiga heresia que declarava o Antigo Testamento (lugar da “Lei”) superado e rejeitado pelo Novo (reino da “Graça”). Mas, para o católico, a Bíblia é um todo unitário, as Bem-aventuranças de Jesus não anulam o decálogo entregue por Deus a Moisés e, através dele, aos homens de todos os tempos. Pelo contrário, segundo estes novos moralistas,  nós , “homens já adultos e libertados”, devemos procurar sozinhos outras normas de comportamento”.

“Uma busca, pergunto eu (Messori), a ser feita apenas com a razão? (64)

“Exatamente, como tinha começado a dizer. Sabe-se, no entanto, que para a moral católica autêntica, existem ações que nenhum motivo poderá jamais justificar, contendo em si mesmas uma recusa do Deus Criador e, por conseguinte, uma negociação do bem autêntico do homem, sua criatura. Para o Magistério, existem sempre pontos firmes, balizadores, que não podem ser suprimidos nem ignorados sem quebrar o liame que a filosofia cristã vê entre o Ser e o Bem. Proclamando, pelo contrário, a autonomia da razão humana sozinha, separados do decálogo, foi preciso procurar novos pontos firmes: onde agarrar-se, como justificar os deveres morais, se estes não têm mais raízes na Revelação Divina, nos Mandamentos do Criador?” (p.64)

- “E então?”. (pergunta Messori)

“E então se chegou à chamada “moral dos fins” ou, como se prefere chamar nos Estados Unidos, onde ela foi elaborada e difundida, à “moral das consequências”, o “consequencialismo”, nada é em si mesmo bom ou mau, a bondade do ato depende unicamente do seu fim e das suas consequências previsíveis e calculáveis.”(p.65).


Passaram-se 31 anos. Quem acompanha a história da Igreja sabe que, apesar de admoestações como essa e muitas outras, apesar dos documentos promulgados pelos papas S. João Paulo II e Bento XVI, a influência dessa moral nefasta foi crescente no clero e mesmo no episcopado. Basta ver que no sínodo de 2014 praticamente 60% dos bispos ali presentes defenderam as propostas aqui criticadas pelo cardeal.


Notas:


1.      Há muito essa proposta é defendida pelas conferências episcopais da Alemanha e da França. No Sínodo de 2014 seu principal advogado foi o cardeal Kasper.
2.      Exemplo disso vemos em grupo de freiras americanas pertencentes à Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas (LCWR em inglês).  As religiosas membros da LCWR - que conta com 1.500 delegadas para representar 57.000 freiras, cerca de 80% das religiosas dos Estados Unidos - defendem a ordenação de mulheres sacerdotisas e evitam condenar o uso da pílula, a eutanásia e a união de casais do mesmo sexo.

É interessante notar que as freiras são bem vistas por seu intenso trabalho social...




3.      Ou seja, exatamente como afirmam os teóricos da ideologia de gênero  que afirmam que toda a moral tida por objetiva na sociedade ocidental é uma mera construção histórica e, portanto, sem valor em nossos dias (V.0.).






terça-feira, 1 de maio de 2012

PROPAGAR A FÉ: ONTEM, HOJE, SEMPRE














Valter de Oliveira


 “A ressurreição do Senhor é um apelo ao apostolado até o fim dos tempos. Cada uma das aparições de Cristo ressuscitado termina com a atribuição de uma tarefa apostólica”. Foi assim no anúncio a Madalena, e, depois, às outras mulheres. “Ide e dizei aos meus irmãos...”. Os discípulos de Emaús sentiram essa necessidade. Finalmente São Marcos relata-nos a missão dada por Cristo aos apóstolos quando estavam sentados à mesa: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todas as criaturas”.


Os onze que ali estavam representavam a Igreja inteira. Neles todos nós, cada um de nós, recebemos a feliz missão de comunicar que Cristo vive. Foi Ele quem nos deu o direito de anunciar a Boa Nova. E também o dever. “A vocação cristã é, por definição, vocação apostólica”. “Ninguém nos deve impedir o exercício deste direito e o cumprimento deste dever”. Verdade que, desde o início da Igreja, houve quem quisesse calar aqueles que nasceram para comunicar a verdade salvífica como os “sumos sacerdotes e os doutores proibiram terminantemente (os apóstolos) de pregar e ensinar no nome de Jesus”. A réplica de Pedro e João já é a diretriz que todo fiel deve seguir até o fim dos Tempos: “Julgai vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus. Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos”.

E nós, podemos ficar calados? Nossa fé tem que ser algo puramente individual sem nenhum efeito na vida pública?

Hoje, como no passado, querem calar a nossa voz. Não querem que através dela o ensinamento de Cristo seja propagado. E foi nosso Divino Mestre quem nos disse:

“Não se acende a luz para colocá-la debaixo de um alqueire, mas sobre um candeeiro, a fim de que alumie todos os da casa; assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de maneira que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus”.



Os apóstolos foram fiéis à sua missão. Tiveram que se defrontar com a perseguição e o martírio. Mas a fé cresceu. A Igreja foi atingindo novas terras.

O discípulo não é mais que o Mestre. Ele foi perseguido. E morto. Se também hoje temos que suportar a incompreensão e até mesmo o ódio saibamos ser fiéis e acolher o que Deus nos der com alegria, como oportunidade de crescer na fé, na esperança, na caridade.

O cristão deve saber remar contra a maré num mundo que parece cada vez mais distanciado de Deus.

“O campo em que os Apóstolos e os primeiros cristãos tinham que lançar a semente era um terreno duro, com abrolhos, cardos e espinhos. Não obstante, a semente que espalharam frutificou abundantemente”.

O que Deus espera de mim e de você hoje?

“Que estejamos dispostos a recristianizar o mundo, na família, na Universidade, na fábrica, nas mais diversas associações. (...) Estamos numa época em que Cristo necessita de homens e mulheres que saibam estar junto da Cruz, que sejam fortes, audazes, trabalhadores, sem respeitos humanos à hora de fazer o bem, alegres, que tenham como alicerce das suas vidas a oração, um trato cheio de amizade com Cristo”.

Todos temos, à nossa volta, como acontecia com os primeiros cristãos, um bom grupo de pessoas que têm sede, que, talvez até mesmo sem o saber claramente, anseiam por Deus. Que bom será se formos os instrumentos que através de um apostolado intenso, cheio de amor, desinteressado, pudermos ajudá-los a conhecer, amar e servir a Cristo.


Que a Virgem Maria conceda essa maravilhosa graça a todos nós. Como a concedeu àqueles Onze.

(baseado na meditação 53 “Ide por todo o Mundo” de Francisco Fernández Carvajal, Falar Com Deus, vol. II, Quadrante, São Paulo, 1990.)


terça-feira, 6 de setembro de 2011

O PAPA E A TRISTE DIVISÃO DOS CATÓLICOS












Valter de Oliveira



Em 12 de março de 2009 o Papa Bento XVI enviou aos bispos do mundo carta na qual explicava as razões “da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo arcebispo Lefebvre” em 1988. Carta necessária porque a atitude do pontífice “por várias razões suscitou, dentro e fora da Igreja Católica, uma discussão de tal veemência como desde há muito não se tinha experiência”.

O objetivo do artigo de hoje não é a discussão sobre o movimento tradicionalista ou da atitude da Santa Sé a propósito dele. Queremos discutir apenas um ponto destacado na carta: a surpresa do Papa que, ao dar um passo no sentido da reconciliação, viu se desencadear contra ele “uma avalanche de protestos cujo azedume revelava feridas que remontavam mais além do momento”. Tudo porque, devido ao episódio Williamson, “o gesto discreto de misericórdia (...) apareceu como algo completamente diverso: como um desmentido da reconciliação entre cristãos e judeus”. A esse propósito o Papa conta como sentiu as críticas:


"Fiquei triste pelo fato de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste."


Quem teria atacado Bento XVI “de lança em riste”? Não sabemos. Não creio ser temerário supor que devem ser pessoas de alta autoridade na Igreja. Tampouco devem ter sido apenas alguns.

O que nos importa aqui, como já dissemos, é como de tais ataques a carta aproveita para mostrar aos católicos a necessidade de nossa união e da compreensão das prioridades da missão do Santo Padre e da Igreja.

A primeira prioridade para o Sucessor de Pedro foi fixada pelo Senhor, no Cenáculo, de maneira inequivocável: «Tu (…) confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32). (...) a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.

Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequência lógica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De fato, a sua desunião, a sua contraposição interna põe em dúvida a credibilidade do seu falar de Deus.

Em conclusão, se o árduo empenho em prol da fé, da esperança e do amor no mundo constitui neste momento (e, de formas diversas, sempre) a verdadeira prioridade para a Igreja, então fazem parte dele também as pequenas e médias reconciliações. O fato que o gesto submisso duma mão estendida tenha dado origem a um grande rumor, transformando-se precisamente assim no contrário duma reconciliação é um dado que devemos registrar. Mas eu pergunto agora: Verdadeiramente era e é errado ir, mesmo neste caso, ao encontro do irmão que «tem alguma coisa contra ti» (cf. Mt 5, 23s) e procurar a reconciliação? Não deve porventura a própria sociedade civil tentar prevenir as radicalizações e reintegrar os seus eventuais aderentes – na medida do possível – nas grandes forças que plasmam a vida social, para evitar a segregação deles com todas as suas consequências? Poderá ser totalmente errado o fato de se empenhar na dissolução de endurecimentos e de restrições, de modo a dar espaço a quanto nisso haja de positivo e de recuperável para o conjunto?


Em suma, temos ao nosso redor bilhões de homens a quem temos o dever de levar a Boa Nova. Nós o fazemos? Ou nos perdemos em lutas menores (ainda que importantes) e nos enrijecemos em nossas posições? Será que usamos corretamente o grande dom da liberdade que nos é dado por Deus? Quando absolutizamos nossos grupos ou tendências não corremos o risco de cair, queiramos ou não, na tentação sectária? O Papa, que nos convida a “arrastar para fora as mesquinharias”, explica-nos um texto de São Paulo:

Amados Irmãos, nos dias em que me veio à mente escrever-vos esta carta, deu-se o caso de, no Seminário Romano, ter de interpretar e comentar o texto de Gal 5, 13-15. Notei com surpresa o caráter imediato com que estas frases nos falam do momento actual: «Não abuseis da liberdade como pretexto para viverdes segundo a carne; mas, pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a lei se resume nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros».

O Papa continua:

Sempre tive a propensão de considerar esta frase como um daqueles exageros retóricos que às vezes se encontram em São Paulo. E, sob certos aspectos, pode ser assim. Mas, infelizmente, este «morder e devorar» existe também hoje na Igreja como expressão duma liberdade mal interpretada. Porventura será motivo de surpresa saber que nós também não somos melhores do que os Gálatas? Que pelo menos estamos ameaçados pelas mesmas tentações? Que temos de aprender sempre de novo o recto uso da liberdade? E que devemos aprender sem cessar a prioridade suprema: o amor?"


É bem verdade que se pode dizer que em nome da liberdade muitos erros são defendidos e propagados, inclusive no seio da Igreja. Temos também a obrigação da vigilância. Entretanto temos que ter também o bom senso de saber aglutinar tudo o que há de bom dentro da Santa Igreja de Cristo para defende-la e temos que afervorar o espírito apostólico. Em vários meios, mesmo fora da Igreja, há uma incontável multidão que, apesar das dificuldades, anseia pela verdade e pelo bem plenos. Multidão que quer não apenas ouvir belas palavras, quer ver exemplos de amor e coerência. Ela nada terá, como diz o Papa, enquanto olharmos apenas para nós mesmos. Não esqueçamos: estão nos pedindo pão. Não lhes demos pedras.


O Papa termina invocando Nossa Senhora da Confiança.

“É ela quem nos conduz a Cristo” . Lembremo-nos disso. É Ele a fonte do verdadeiro amor e da verdadeira paz, que está sempre, docemente, misericordiosamente, esperando por nós.



sábado, 16 de julho de 2011

NOSSAS MISÉRIAS E NOSSAS GRANDEZAS






Valter de Oliveira




Quando eu era jovem fiz uma meditação – baseada nos Exercícios Espirituais de S. Inácio de Loyola – sobre a humildade. Lembro-me ainda hoje de uma frase de S. Bernardo:


“Que éramos? Nada. Que somos? Vaso de imundícies. Que seremos? Pasto de vermes”.


Mais ou menos na mesma época tive várias aulas sobre o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, escrito por S. Luis de Montfort. O objetivo era fazermos a Consagração à Virgem como a propunha o grande santo que ensina que, para sermos fiéis filhos de Maria temos que “despojar-nos do que há de mau em nós. E não é pouca coisa.

“Toda a nossa herança é orgulho e cegueira no espírito, endurecimento no coração, fraqueza e inconstância na alma, concupiscência, paixões revoltadas e doenças no corpo. Somos, naturalmente, mais orgulhosos que os pavões, mais apegados à terra que os sapos, mais feios que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais glutões que os porcos, mais coléricos que os tigres e mais preguiçosos que as tartarugas, mais fracos que os caniços, e mais inconstantes do que um catavento. Tudo que temos em nosso íntimo é nada e pecado, e só merecemos a ira de Deus e o inferno eterno”. (1)

Hoje, passados mais de 40 anos, ainda me recordo vivamente dessas leituras. Um leitor moderno talvez as julgue exageradas e pessimistas. Eram santos que teriam uma visão negativista do homem e do mundo...

Entretanto, um outro homem de Deus, bem próximo de nós, S. Josemaria Escrivá, homem de otimismo e bom humor nos diz:

“Teu maior inimigo és tu mesmo”

E ainda:

“Se és tão miserável, como estranhas que os outros tenham misérias?”

Finalmente:

“Não te aflijas por verem as tuas faltas. A ofensa a Deus e a desedificação que podes ocasionar, isso é o que deve afligir.

-De resto, que saibam como és e te desprezem. – Não tenhas pena de ser nada, porque assim Jesus tem que por tudo em ti”. (2).

Toda essa miséria, tão profunda, aflora ainda mais em nós cada vez que nos envolvemos em certas questões que exigem de nós verdadeiro espírito cristão para agirmos com prudência e fortaleza, justiça e caridade. Às vezes são momentos de crise. Uma crise “não deve ser escamoteada, seja ela de que nível for, sob pena de continuarmos escravos da menoridade. (...) Crise tem o significado de alteração. Seu sentido mais pleno é o da purificação”. (3)

Aí vemos como é difícil ser o que deveríamos ser.

Razão para pessimismo?

Nem de longe. Ferir-se faz parte da luta. Nosso despreparo não nos exime dela.

Nesses momentos, apesar de tudo, é preciso lembrar das palavras do primeiro Papa:

“... vós sois a Geração Eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo escolhido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. (4)

Em suma, somos nada, pouca coisa que Deus quer fazendo grandes coisas.

Afinal, somos filhos de Deus. De um Deus Menino que se encarnou por nós e nos ama infinitamente. Que não se cansa de nós. Que nos quer sempre a seu lado.

A gratidão para com Deus exige que abramos nossas almas. Assim nosso nada passa a ser tudo. E tudo passa a ser razão de alegria!


Notas:

1. S. Luis Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora, XI edição. Vozes, Petrópolis, 1981, p.84)

2. S. Josemaria Escrivá. Caminho, 225, 446, 597. Quadrante, São Paulo, 1995.

3. PAIVA, Vanildo de. Filosofia, Encantamento e Caminho, São Paulo, Paulus, 2002. p.38,39.

4. I Pedro 2:9

domingo, 22 de maio de 2011


BRASIL, 5 DE MAIO DE 2011:
O DIA DA VERGONHA


A decisão do STF sobre as uniões homossexuais e a responsabilidade dos católicos


Valter de Oliveira



5 de maio foi um dia de alegria para os defensores da cultura da morte, de vergonha para o Brasil e nossas instituições políticas, de luto para todos os que acreditam nos Dez Mandamentos e no Evangelho de Cristo.

Neste artigo não quero discutir os aspectos jurídicos e políticos da decisão do Supremo Tribunal Federal. Tampouco analisar o desrespeito pela constituição na decisão dos ministros da Suprema Corte. Estes já foram objeto de análise em artigos e blogs. Alguns, começo a colocar em meus sites para conhecimento dos amigos leitores. Hoje, o que quero discutir aqui é a responsabilidade dos católicos na luta em defesa dos valores da fé cristã.

1. Um pouco de história

Desde o século XIX os Papas vem alertando os católicos para a atuação de homens, grupos, partidos, que tinham por objetivo criar uma sociedade radicalmente anticristã e atéia. Também nas fileiras revolucionárias encontramos inúmeros textos que confirmam a preocupação da Igreja. Basta ler os textos dos teóricos do laicismo e dos autores marxistas, sempre contrários à família e à moral “burguesa” e defensores ardentes do amor livre. Mais recentemente todos os seus seguidores dedicaram-se com empenho e muito dinheiro a advogar toda sorte de degradação moral. Mas, para isso, tiveram a habilidade de mudar o valor das palavras e infestaram o linguajar filosociológico de eufemismos. O impuro virou puro, o indigno passou a ser considerado nobre. Tudo o que antes era tido por vergonhoso e que degrada o homem passou a ser defendido em nome da justiça, da igualdade, da não discriminação, do pluralismo, da civilização, e, por incrível que pareça, até da dignidade humana... Não foram essas palavras abundantemente usadas por nossos ministros na votação do último dia 5?

2. Um exemplo: a palavra discriminação

Sobre o uso desta palavra podemos ler no Lexicon, publicado pelo Pontifício Conselho para a Família:

“Provavelmente um dos instrumentos lingüísticos usados com maior regularidade é a pós-moderna “discriminação”, que se tornou hoje o termo pejorativo por excelência. Sua utilização pressupõe uma suposta culpa, uma não inocência. As palavras qualificativas “justo” e “injusto” são sempre ignoradas” (1) (artigo Manipulação da linguagem p. 575.”)

Discriminar, etimologicamente, significa separar, rejeitar, e também elencar, selecionar. Nossos pais ensinavam-nos a evitar certas companhias, tidas como prejudiciais a um sadio crescimento. Tal atitude não era considerada discriminatória, muito pelo contrário.

Com a manipulação da linguagem começou-se a utilizar a palavra nas mais diversas situações e muita gente não viu todos os perigos para a vida moral e social no seu uso... indiscriminado...

Discriminação é apenas uma palavra disseminada pelos ideólogos totalitários e anticristãos do “politicamente correto”. Todas utilizadas para fazer uma baldeação ideológica na opinião pública. Técnica e estratégia perfeitamente conforme a revolução marxista gramsciana.

3. O papel da elite católica

Lamentavelmente nossa elite católica não viu ou não quis ver como essas palavras foram sendo utilizadas por todos os que não aceitam a influência cristã na sociedade. Basta ver que até aqueles que lutam pela fé, criticaram o STF, mas fizeram questão de afirmar que são contra a discriminação!... Caíram na armadilha revolucionária. Deixaram os adversários fazer as regras do jogo.

Digamos que líderes católicos, leigos ou religiosos, não têm a obrigação de conhecer os meandros da política e as complexidades das ideologias. Discordo. Homens e mulheres de fé não podem ser alienados. E todos têm obrigação de, no mundo temporal, exercer a mais plena cidadania.

Na elite clerical temos dois problemas. Um setor simplesmente aderiu ao ideário revolucionário. São todos os que se apaixonaram pela Teologia da Libertação.

Outros decidiram empurrar a doutrina católica, especialmente a que se refere aos valores familiares, para baixo do tapete. A moral cristã, claramente especificada, desapareceu de muitos sermões. Receio de desagradar os fiéis e parecer retrógrados? Ou falta de fé e convicção?

4. Um exemplo: a questão do aborto nas últimas eleições

Na reta final das eleições do ano passado um grupo de bispos e um punhado de valorosos leigos ousou advertir os fiéis sobre os perigos de um eventual governo Dilma e das intenções do PT em avançar em seu trabalho de descristianização da sociedade. O que aconteceu? A cúpula da CNBB criticou os defensores da vida que teriam falado em nome da entidade. Outros bispos silenciaram. Um terceiro grupo, ligado à Teologia da Libertação, saiu em defesa de Dilma e do PT, pretensos defensores dos pobres e da justiça social.

A questão apavorou todos os laicistas. Do governo e da oposição. Ficaram com medo de perder a opinião pública.

Nossa elite perdeu a oportunidade de colocar a questão nos devidos termos. Não soube exigir nem do governo e nem da oposição um compromisso com os valores familiares. Não soube denunciar o projeto da cultura da morte, que é internacional, apoiado pela ONU, grandes capitalistas e todos os partidos pró-marxistas. Bobamente ficou discutindo o passado de Dilma.


A decisão do STF, do dia 5, é uma bofetada na face da elite católica omissa: dos “conservadores” tímidos e eternamente “otimistas” que acreditam que no diálogo científico com nossa oligarquia podem fazer com que os políticos não sigam sua própria ideologia e interesses(2); dos “piedosos” de sacristia cuja visão não ultrapassa os muros das paróquias, dos “progressistas” que dizem que abominam as estruturas do pecado e se associam eufóricos à oligarquia mundial que promove a globalização de Sodoma e Gomorra.

Gostaríamos de lembrar a todos, especialmente aos que se empenharam para a vitória política do ideário petista, que a maior parte dos ministros do STF foi indicada por Lula. E confirmada por seus aliados oligárquicos do Senado.

A partir de agora os que têm autoridade na Igreja vão ter que se defrontar com algumas situações concretas. O que farão, por exemplo, diante de casais gays que quiserem matricular seus filhos adotivos em escolas católicas? Casais gays poderão assistir missa de mãos dadas? E se a lei exigir que os senhores celebrem “casamentos” homossexuais? Diante de questões como essa a quem seguirão: S. Thomas More ou o episcopado cismático da Inglaterra de Henrique VIII.?

No Brasil e no mundo o Tsuname revolucionário avança. Ele não vai se contentar com a vitória obtida no dia da vergonha. As últimas muralhas do Estado de Direito e da decência foram derrubados. Novas minorias vão exigir seus “direitos”. Pedófilos e escravos da bestialidade (ou devemos chamá-los de bestialafetivos?) já receberam o sinal verde dos ilustres magistrados.

Magistrados que mais uma vez podem passar por cima do Legislativo e começar a penalizar católicos “intolerantes” como nós.

Todos eles morrerão. Não demorará muito. Espero que um dia se lembrem que são apenas pó. E que ao transpor os umbrais da morte estarão face a face com Cristo.

Que a Virgem interceda por nossas almas!

Notas:

1. Lexicon, Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. Pontifício Conselho para a Família. Edições CNBB, 1ª edição, 2007.

2. Com isso não quero dizer que um trabalho sério com os detentores do poder não pode e não deva ser realizado. Digo apenas que a classe política desde Maquiavel tem sua própria ética. No geral não mudarão de caminho a não ser por receio de perder sua influência. Até eles reconhecem isso. Uma pinça precisa ter dois lados. Não apenas um.

domingo, 31 de outubro de 2010

Pedimos licença a nossos leitores, pois devido ao tema abordado neste artigo, usaremos o vocabulário específico da cartilha de educação sexual do Município de Embu, em São Paulo. Esse vocabulário não é delicado, no entanto, é necessário que todos estejam a par do tipo de ensinamentos a que são submetidas as crianças e jovens desta cidade.

Sonia Rosalia

A EDUCAÇÃO QUE O PT OFERECE

Um pedido aos bispos e religiosos pró-Dilma
Uma reflexão aos pais de família


Valter de Oliveira



Acabei de ler um artigo do bispo de Caçador, S. Catarina, D. Luiz Carlos Eccel, defendendo o voto em Dilma Roussef.

Como cidadão o sr. bispo tem o direito de votar em quem bem desejar. Ele é responsável diante de Deus por seus atos.

O que espanta é vê-lo afirmar que a candidata e o PT merecem nosso voto. Que o projeto petista é conforme a Fé e ao Evangelho. Que podemos votar neles.

Como simples cidadão e fiel convido D. Luiz Carlos, bem como os 7 prelados que lançaram manifesto pro-PT, que manifestem suas opiniões, como bispos católicos, sobre a educação sexual vista pela ótica petista.

Peço também que meus leitores e amigos dêem sua opinião.


Discutindo Sexualidade no Embu das Artes
Tudo que você precisa saber sobre sexualidade, aids, DSTs e prevenção

Este é o título de cartilha do governo municipal de Embu das Artes, SP, distribuído nas escolas do Município. Vamos ver alguns pontos abordados.


1. Adolescência.

Namoro: “é ter alguém para compartilhar carícias e intimidades. (...) É gostar, amar essa pessoa e receber amor, pode rolar sexo ou não, pode durar bastante ou não. (...) Namoramos por amor, por atração sexual, por tesão, ... por vários motivos”.

O “Ficar”.

“Ficar não significa que você seja uma galinha ou um garanhão, ficar é uma forma de conhecer várias pessoas e descobrir novos sentimentos e emoções. O importante é que você se sinta bem, respeitando (sic!) a si próprio e aos outros, amadurecendo e assumindo suas escolhas”.

A transa.

“O encontro amoroso entre duas pessoas desperta naturalmente o desejo pelo prazer do sexo”. (...)

“Um momento especial, num lugar especial, um tesão incontrolável, e pronto...rola o sexo. A primeira transa geralmente acontece assim ( e aí vem “conselhos” sobre a importância de estar preparado com camisinha...) O namoro, o ficar, o transar com homem ou mulher, ou com os dois, é tudo uma questão de escolha”. (o destaque é da cartilha).

Corpo erótico

São explicadas as transformações do corpo na adolescência e concluem esta parte com as seguintes palavras: “Porém, a maior e mais gostosa transformação é a descoberta do corpo erótico, a descoberta do prazer de se apalpar, das deliciosas e silenciosas sensações que vibram no corpo inteiro quando o adolescente se masturba”.

Masturbação

“A masturbação (...) não é apenas um ato solitário que envolve fantasias e desejos, é um momento de intimidade que também pode ser praticado a dois, pois proporciona sensações gostosas, alívio das tensões” (...). “Não é de forma nenhuma um desvio de comportamento”. A revista adverte, porém, que “ a prática freqüente pode estar relacionada a tensões e ansiedades”. É preciso ser temperante...

O Sexo oral

Depois de explicar no que ele consiste os autores da cartilha afirmam: “É uma das formas de ter prazer sexual e não existe nada de errado em faze-lo, desde que você goste e esteja com vontade”. (...) não faz mal para a saúde, mas é importante que seja seguro para se proteger de DST e da AIDS”.

O Sexo Anal

Os autores consideram que “pode ser, para ambos os sexos, uma importante área de prazer”. (...) “E isso não significa, no caso dos garotos, que estes sejam homossexuais”.

A Homossexualidade

Após explicar os tipos de homossexualismo e o que é orientação sexual os “educadores” de Embu terminam com essa preciosidade: “Como diria o poeta, “qualquer maneira de amor vale a pena”, sem violência e com respeito à vontade e ao desejo de cada um.

A quem é dirigida a Cartilha de Embu das Artes?

“Material desenvolvido (...) para distribuição aos alunos do Ensino Fundamental 1º ciclo (3ª e 4ª séries), Fundamental 2º Ciclo, Ensino Médio, Eja e Mova (40,000 exemplares)”.
Ou seja: começa com crianças de 8 anos! (1)

Pois bem caros amigos, os criadores dessa abominável cartilha lembram candidamente que “é fundamental o respeito pela dignidade e igualdade de cada pessoa”.

Qual pai de família gostaria de ver suas filhas e filhos expostos a tanta doutrinação erótica? Ou a palavra mais adequada é pornográfica?

Tal doutrinação não é circunscrita apenas à cidade de S. Paulo. Movimentos sociais ligados umbilicalmente ao PT a estão espalhando por todo o país.

Se o PT – basta consultar os documentos deles – quer construir uma sociedade relativista e hedonista, com plena autonomia do corpo, rejeitando todos os ensinamentos da Igreja em matéria de sexualidade, como afirmar que a vitória de Dilma será o triunfo do Reino de Deus?

Ficaria muito grato aos senhores bispos e religiosos petistas caso nos dissessem no que a “educação” da cartilha petista respeita os ensinamentos de Cristo e da Igreja.

Na última capa lemos: Publicação contemplada pelo FUMCAD – Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Lei Municipal nº 2031 de 02.01.20003), gerenciado pelo DMDCA – EMBU. Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Revista disponível para dowload (sic!) no site www.embu.sp.gov.br

A que tenho em mãos é a 2ª edição, revisada...

Tudo com financiamento do Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação.

Com tristeza terminamos lembrando as palavras de Cristo: "É impossível que não haja escândalos, porém, ai daquele por quem eles vêm! Seria melhor para ele que lhe pendurassem ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse precipitado no mar, do que ser causa de escândalo para um destes pequeninos.” (Lucas 17, 1-2)


Nota:


quinta-feira, 21 de outubro de 2010



A verdade e a união exigem a bispos e fiéis falar com clareza contra o aborto, diz chefe do Tribunal Supremo do Vaticano



Ao discursar no Congresso Mundial de Oração de Vida Humana Internacional, em Roma, o arcebispo Raymond L. Burke recebeu aplausos quando ele mostrou que os políticos católicos que apóiam o aborto devem arrepender-se publicamente, informou a agência canadense LifeSiteNews.

Falando aos líderes pró-vida de 45 nações, o Prefeito da Assinatura Apostólica (o mais alto tribunal do Vaticano, equivalente ao Supremo Tribunal Federal ‒ STF) também observou que esses católicos dissidentes que reconhecem o escândalo causado de público devem reparar o grave mal feito à Igreja, porém, nunca devem ser ridicularizados por isso.

O arcebispo Burke sublinhou que “tanto os bispos quanto os fiéis” devem ser obedientes ao Magistério ‒ que ele descreveu como o ensinamento de Cristo transmitido para o povo através do sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele.

“Quando os pastores do rebanho são obedientes ao Magistério, a eles confiado, então, certamente, os membros do rebanho crescem na obediência e avançam junto com Cristo pelo caminho da salvação", disse ele. “Se o pastor não é obediente, facilmente se introduz a confusão e o erro no rebanho”.


O presidente do Supremo Tribunal da Igreja, que também é membro da Congregação para os Bispos, acrescentou:

“O mais trágico exemplo de falta de obediência na fé, inclusive por parte de certos Bispos, foi a resposta de muitos à Carta Encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI, publicada em 25 de julho de 1968. A confusão resultante induziu muitos católicos em costumes pecaminosos em matérias relativas à procriação e à educação da vida humana”.



Malefícios dos bispos que não condenam claramente os atentados contra a vida e contra a família


“A Humanae Vitae reafirmou o imemorial ensino cristão sobre a imoralidade do uso de contracepção artificial.

“No entanto, após sua publicação a encíclica foi repudiada por muitas pessoas dentro da Igreja Católica, incluindo padres e bispos, que tinham acreditado que a Igreja mudaria sua posição sobre a contracepção."

Voltando à questão do escândalo dentro da Igreja, o arcebispo disse:

“Nós encontramos auto-proclamados católicos, por exemplo, que sustentam e apóiam o direito da mulher a provocar a morte do bebê em seu ventre, ou o direito de duas pessoas do mesmo sexo a serem reconhecidas pelo Estado em pé de igualdade como homem e a mulher que contraíram casamento. Não é possível ser católico praticante e agir publicamente desta forma”.


Arrependimento dos abortistas deve ser público


Em meio a estrondosos aplausos o arcebispo Burke explicou:


“Quando uma pessoa defendeu publicamente e colaborou com graves atos pecaminosos, levando muitos à confusão e ao erro em questões fundamentais que dizem respeito à vida humana e à integridade do matrimônio e da família, o seu arrependimento também deve ser público”.

O Prefeito da Signatura Apostólica, em seguida, expressou uma preocupação que tocou a fundo muitos dos ativistas católicos pró-vida presentes na conferência:

“Uma das ironias da atual situação ‒ disse ‒ é que as pessoas que denunciam o escândalo provocado por ações públicas gravemente pecaminosas praticadas por colegas católicos passam a ser acusadas de falta de caridade e de causar divisão no seio da unidade da Igreja”, disse ele.

“A gente vê a mão do pai da mentira agindo por trás deste menosprezo da gravidade do escândalo ou no ridículo em que são postos aqueles que denunciam o escândalo”.


A unidade da Igreja, feita na verdade e no amor, exige denunciar os promotores de escândalos como aborto e "casamento" homossexual


O prelado do Vaticano concluiu a demonstração da tese defendida, dizendo:

“Mentir ou não dizer a verdade jamais é sinal de caridade. A unidade que não se fundamenta na verdade da lei moral não é unidade da Igreja. A unidade da Igreja está fundada na profissão da verdade com amor.

“A pessoa que denuncia o escândalo provocado por católicos com ações públicas gravemente contrárias à lei moral, não só não destrói a unidade da Igreja, mas convida a reparar o que é claramente uma violação grave da vida eclesial.

“Se não denunciasse o escândalo que consiste no apoio público aos atentados contra a vida humana e a família, a consciência do católico estaria sendo deformada ou entorpecida a respeito das mais sagradas realidades”.





segunda-feira, 18 de outubro de 2010



OS BISPOS E O PT
Da Alemanha...


Valter de Oliveira


O partido nazista crescia na Alemanha, mas ainda não havia chegado ao poder. Hitler afirmava que iria reerguer a Alemanha. Muitos acreditavam nele. Até cristãos começaram a ver no Partido dos Trabalhadores Alemães uma esperança para suas vidas.

Não era a opinião de alguns bispos católicos.

O bispo de Mogúncia condenou de forma pública o Partido Nazista. Informa o site da Zenit.org de 1º de outubro:

Estava “proibido a qualquer católico inscrever-se nas filas do Partido Nacional Socialista de Hitler”. “Aos membros do partido hitleriano não era permitido participar de funerais ou de outras celebrações católicas similares”. “Enquanto um católico estivesse inscrito no partido hitleriano não podia ser admitido aos sacramentos”.

“A denúncia da arquidiocese de Mogúncia foi publicada em primeira página pelo L’Osservatore Romano em um artido de 11 de outubro de 1930”.

Um ano depois a diocese de Munique confirmou a incompatibilidade da fé católica com o partido nazista. No mesmo ano também tivemos pronunciamentos condenatórios do bispo de Colônia.

Mais ainda, em 1932 a Igreja excomungou todos os líderes nazistas. Era uma questão de valores. “Entre os princípios anticristãos denunciados (...) a Igreja mencionava explicitamente as teorias étnicas e o racismo”.

“No dia 10 de março de 1933, A Conferência Episcopal alemã, reunida em Fulda enviou um apelo ao presidente (...) Hindenburg, expressando “nossas preocupações mais graves, que são compartilhadas por amplos setores da população”. Os bispos temiam que os nazistas não respeitassem “o santuário da Igreja e a posição da Igreja na vida pública”. (1)

Não sei se com tais atitudes não tenha havido quem acusasse os bispos de crime eleitoral.

De qualquer modo o belo trabalho teve bons efeitos e as regiões onde o nazismo teve menos votos foram aquelas de maioria católica.

O que teria acontecido se a fidelidade aos princípios da Igreja fosse mais forte?

As hipóteses na História são boas para os acadêmicos. O povo tem que enfrentar a realidade dura e crua. Hitler conseguiu o governo.

A luta católica ficou mais fácil após a vitória de Hitler?

Nem um pouco. Como mostra a propaganda da Folha muita coisa melhorou na Alemanha, especialmente no setor econômico: fim da inflação e do desemprego, melhores condições de trabalho, crescimento do PIB e melhoria do sistema de transportes, investimento na área de cultura e esportes, etc, etc. Foi um eficiente Plano de Aceleração do Crescimento...

Nunca se tinha visto tanto progresso, e tanta inclusão social, diríamos hoje.

Adversários internos e externos começaram a render-se diante de resultados tão brilhantes.

O problema é que em Roma havia um Papa chamado Pio XI. Muita gente deve ter achado que ele não entendia coisa alguma do que ocorria no mundo. Afinal, na metade da década ele começara, através de encíclicas e outros meios, a criticar os poderosos da época. Escreveu contra o fascismo, contra o nazismo e contra o comunismo.

Tudo isso enquanto Hitler melhorava a vida do povo (ordenou a construção do fusca), Stalin eletrificava a Rússia e fazia estradas de ferro e, os italianos, ganhavam a Copa do Mundo em 34. O papa estava preocupado com princípios! Pobre homem. Na opinião de quem considera que discussão política limita-se apenas ao desenvolvimento material, tudo aquilo era uma perda de tempo.

A questão é que houve bispos na Alemanha que foram verdadeiros pastores. Quando a “Mit Brennender Sorge” (2) foi contrabandeada para a Alemanha eles ordenaram que ela fosse lida durante a missa em todas as suas paróquias. O resultado foi trágico para muitos sacerdotes, religiosos e fiéis. Milhares morreram em campos de concentração.

Ainda assim houve quem não desse muita importância a essas coisas. A Alemanha crescia a olhos vistos e o "cara" chegou a ter mais de 90% de aprovação popular. O cabo vienense dizia em alto e bom tom que nunca antes na sua história a Alemanha fora tão respeitada...

Resultado: em 1938 a revista time declarou Hitler o homem do ano!

Um ano depois começava a guerra. Em 45 o nazismo estava esmagado. Aí os horrores vieram à tona.

Horrores que bons católicos haviam previsto. Digo bons porque ontem, como hoje, há quem não dê a mínima para a fé cristã. E que se joga nos braços de qualquer ideologia messiânica.

Terminamos com nossa reverência aos que permaneceram de pé no meio de um mundo de joelhos. Que a exemplo deles saibamos olhar as coisas da terra com os olhos postos no Céu.







NOTA

1. O atual Papa, quando era prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, afirmou sobre a Conferência Episcopal Alemã: “Pois bem, os textos realmente vigorosos contra o nazismo foram os que vieram individualmente de prelados corajosos. Os da conferência, no entanto, pareciam um tanto abrandados, fracos demais com relação ao que a tragédia exigia”. (A Fé em crise, o cardeal Ratzinger se interroga, São Paulo, EPU, 1985, p. 41).

2. Encíclica que condenou os erros do nazismo.



"Quando a igreja alemã excomungou o nazismo"





terça-feira, 13 de julho de 2010

A VERDADE É POLITICAMENTE

INCORRETA

Pe. Francisco Faus

Leio na Folha de São Paulo de 9 de julho de 2010 (pág. A3), sob o título “Divórcio”, a crítica indignada de uma leitora de Indaiatuba ao artigo de Ives Gandra, publicado na mesma Folha (”Cotidiano” de 8 de julho) e intitulado “O divórcio relâmpago fragiliza ainda mais a família”. A missivista declara que o autor do artigo está desatualizado: “Informo que a sociedade mudou, hoje pais dividem a guarda dos filhos com suas mães e têm maiores condições emocionais e psicológicas de trazer aos filhos o que, de fato, significa um bom relacionamento. Os filhos não se privam do carinho e do amor de seus pais simplesmente porque estes resolvem tentar ser felizes num relacionamento pleno e satisfatório”.


A missivista quer informar o desavisado articulista. Acontece que eu também tenho alguma coisa a informar. Faz mais de quarenta anos que trabalho, de modo habitual, na orientação e apoio de estudantes, moças e rapazes, entre 12 e 25 anos de idade. Vários milhares de adolescentes e jovens já me contaram as suas alegrias, tristezas, ideais e lutas. Tenho, assim, apalpado diariamente “a vida como ela é”, por isso, tenho podido conhecer os efeitos do divórcio nos filhos: “na veia”, não em livros de sociologia ou psicologia.

Essa longa e vasta experiência me dá condições de afirmar, com conhecimento de causa, que em noventa por centro - pelo menos - dos casos, o divórcio dos pais causou nos filhos um trauma duradouro, provocando-lhes desorientação, amargura e, não raramente, distúrbios psíquicos. Sei que isto é verdade, mas sei também que, nos convencionalismos atuais, não há nada tão politicamente incorreto como a verdade.

Nunca me esquecerei da conversa com uma menina, estudante de colégio, que sofria com a separação dos pais. Ela teve oportunidade de ler os Manuscritos Autobiográficos de Santa Teresinha. Ficou deslumbrada com o ambiente de união e carinho familiar que transparece em cada página dessa autobiografia. Pouco depois da leitura do livro, disse-me com voz impregnada de tristeza: - “Padre, como era linda a família de Santa Teresinha! Eu acho que uma filha de pais separados nunca poderá ser santa…”. Ao ouvir isso, senti um sobressalto, uma punhalada no coração, e respondi-lhe com veemência: - “Claro que poderá, minha filha! Estou certo de que você, com a ajuda de Deus, poderá vir a ser uma grande santa”.

Causa-me muita pena, à vista dessas experiências, ouvir pais de família - obcecados pelas dificuldades da vida -, falarem do seu “direito de serem felizes”, ainda que isso signifique deixar os filhos numa posição ambígua e quase sempre prejudicial. Creio que o mais belo “direito” do casal - como de todos nós, filhos de Deus -é o “dever” de lutar, de entregar-nos, de sacrificar-nos dando-nos cada vez mais para “fazermos felizes” os demais (a começar pelos filhos). E creio ainda que o egoísmo mais ou menos consciente do pai ou da mãe que, em grande número de divórcios, é o que os leva à separação, pode-se tornar facilmente num buraco negro onde se enterra a felicidade própria e a dos filhos.

Não quero nem posso julgar o drama da missivista de Indaiatuba. Seria leviano e injusto formular sobre ela um juízo negativo. Por isso, peço a Deus que a abençoe, que lhe conceda a felicidade que seja possível alcançar nesta terra, e que a ajude também a envolver seus filhos em sentimentos e manifestações de carinho tais, que compensem a privação de um lar unido.

Fonte: /www.padrefaus.org/10/07/2010