sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

SAN GENNARO: O MILAGRE QUE NÃO OCORREU DIA 16 DE DEZEMBRO

 


Sangue de São Januário ou San Gennaro


Liquefação do sangue de São Januário costuma acontecer 3 vezes por ano: quando não ocorre, a tradição o entende como um sinal de alerta

Milagre do sangue de São Januário não aconteceu hoje, contrariando tradição profundamente popular na Itália: o fenômeno da liquefação do sangue de São Januário, preservado em um relicário em Nápoles, costuma acontecer 3 vezes por ano:

  • no primeiro domingo de maio,
  • no dia de São Januário (19 de setembro),
  • no dia 16 de dezembro.

O acontecimento, até hoje sem explicação científica, tem sido registrado desde nada menos que o ano de 1389, quando foi testemunhado pela primeira vez.

No dia de hoje, porém, o sangue do santo não se liquefez.

Milagre do sangue de São Januário não aconteceu hoje

Conforme noticiado pelo site do jornal Il Fatto Quotidiano, mons. Vincenzo De Gregorio conferiu o relicário após a Santa Missa das 9h, na capela de São Januário em Nápoles, e constatou que “o sangue estava absolutamente sólido e continua absolutamente sólido”.

O relicário voltou a ser guardado e novamente retirado para a Missa das 18h30, quando, novamente, os fiéis não puderam presenciar o milagre, para sua decepção e consternação.

A tradição popular, de fato, atribui à não-liquefação do sangue de São Januário um sinal de alerta ou um aviso de que algo grave pode acontecer.

Foi o caso, por exemplo, nas seguintes ocasiões históricas em que o sangue do santo não se liquefez em alguma das três datas anuais:

  • 1939: a Alemanha deu início à Segunda Guerra Mundial, invadindo a Polônia.
  • 1973: Nápoles foi atingida por uma epidemia de cólera.
  • 1980: ocorreu o grande terremoto em Irpinia.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

OS HOMENS, O BEM E O MAL

 

   

Há uns homens que fazem bem o mal, e outros que fazem mal o bem, e outros que fazem bem o bem. Os que fazem bem o mal são aqueles filhos do século que diz o Evangelho que buscam e acham meios oportunos para consumar a sua maldade, e para isso são mais prudentes que os filhos da luz em servir a Deus. Os que fazem mal o bem são os que servem a Deus, porém com mil imperfeições e negligência, como aquele Fariseu que jejuava duas vezes na semana e pagava dízimos de tudo, porém tinha disso vanglória. Os que fazem bem o bem são os que procuram quanto em si é esmerar-se no serviço de Deus, atendendo a seu maior agrado. Estes são os que saem de seu exame plenamente justificados: Qui custodierint justa juste, justificabuntur. 

    Eis aqui os mínimos da observância desprezados, onde vem a precipitar uma alma. Ninguém é perfeito e ninguém perverso de repente; o bem e o mal têm suas sementes pequeninas, que produzem frutos grandes, uns salutíferos, outros venenosos.

    Façamos a obra com vagar e repouso, e reprimindo os ímpetos de querer acabar. Que importa que se acabe, se for mal feita? Antes importa que não vá mal feita, ainda que não se acabe; e o que mais é, impossível que se acabe, tanto que não for bem feita. Porque onde a obra começou a não agradar a Deus, aí parou e não foi mais adiante quanto àquela parte viciada, qual fruta que por algum lado se tornou pêca. Não está o ponto em chegar ao cabo da obra, senão em que haja luta e resplandeça a obra pela perfeição dela. 

(...)

    Quem senão Deus poderá fazer todas as suas obras perfeitas sem preparação alguma? E contudo vemos que todas fez com sua preparação conveniente. A luz que criou no primeiro dia foi preparação do sol, que fez no quarto; as flores são preparação dos frutos; os vapores, preparação das nuvens; do mesmo modo, o sono de Adão foi preparação da formação de Eva: a chuva de orvalho todas as manhãs, preparação da chuva do Maná; a Lei Escrita, preparação da Lei da Graça; o nascimento do Batista, preparação da vinda de Cristo. E assim, nas mais obras da natureza ou da graça, se bem advertimos, sempre levam sua preparação antecedente, para nos ensinar Deus que se quisermos obrar com perfeição, devemos obrar com preparação.  


Fonte: As mais belas páginas de Bernardes. São Paulo, Edições Melhoramentos, 1966, pontos 344,345, 347 e 348

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

CANTA DIANTE DE MARIA IMACULADA

 




São Josemaria Escrivá



Deus Omnipotente, Todo-Poderoso, Sapientíssimo tinha que escolher a sua Mãe. – Tu, que terias feito, se tivesses tido de escolhê-la? Penso que tu e eu teríamos escolhido a que temos, enchendo-a de todas as graças. Isso fez Deus. Portanto, depois da Santíssima Trindade, está Maria. Os teólogos estabelecem um raciocínio lógico desse cúmulo de graças, desse não poder estar sujeita a satanás: convinha, Deus podia fazê-lo, logo fê-lo. É a grande prova. A prova mais clara de que Deus rodeou a sua Mãe de todos os privilégios, desde o primeiro instante. E assim é: formosa e pura e limpa, em alma e corpo! (Forja, 482)


És toda formosa e não há mancha em ti. – És horto cerrado, minha irmã, Esposa, horto cerrado, fonte selada. – Veni: coronaberis. – Vem: serás coroada (Cant. IV, 7, 12 e 8).


Se tu e eu tivéssemos tido poder, tê-la-íamos feito também Rainha e Senhora de toda a criação.


Um grande sinal apareceu no céu uma mulher com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. – O vestido de sol. – A lua a seus pés (Apoc. XII, 1). Maria, Virgem sem mancha, reparou a queda de Eva; e esmagou, com o seu pé imaculado, a cabeça do dragão infernal. Filha de Deus, Mãe de Deus, Esposa de Deus.


O Pai, o Filho e o Espírito Santo coroaram-na como Imperatriz que é do Universo.


E rendem-lhe preito de vassalagem os Anjos..., e os patriarcas e os profetas e os Apóstolos..., e os mártires e os confessores e as virgens e todos os santos..., e todos os pecadores e tu e eu. (Santo Rosário, 5º mistério glorioso)

domingo, 29 de novembro de 2020

JORNAL "O SÃO PAULO" E AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

 CAROS AMIGOS


Costumava ler os artigos de "O São Paulo", da arquidiocese paulistana com mais frequência. Nos últimos tempos, preocupado com outras fontes de informação, descuidei-me. Uma pena. Hoje entrei no site do jornal e encontrei diretrizes para a eleição municipal bem como sugestões do que deve ser mudado ou melhorado na administração da cidade. De momento cito dois pontos interessantes sobre a família. Gostei do caráter propositivo deles. (V.O.)

O texto completo chama-se "o olhar da Igreja sobre os problemas da cidade". 


EDUCAR COM OS VALORES DAS FAMÍLIAS

Os olhares da Igreja sobre os problemas da cidade e as soluções possíveis
Professor Edivan Mota

Colocar a família como centro do processo e democratizar e diversificar o sistema de escolarização na cidade de São Paulo deve ser a prioridade máxima da próxima gestão. O caminho prático, para tanto, é permitir que a família possa escolher como, onde e sob quais valores quer educar seus filhos. Isso pode ser feito por meio de convênios com instituições sérias e comprometidas com a educação e que ofereçam formação de qualidade e acessível àqueles que mais necessitam, principalmente nas periferias da cidade.

Muitas de nossas comunidades e paróquias já atendem, em parceria com a Prefeitura, nossas crianças em creches, pré-escolas e centros comunitários. Por que não estender este atendimento a toda a educação básica?

Estamos construindo com o Governo Federal e o Congresso Nacional uma mudança no Artigo 7° do projeto de lei (PL) 4372, para permitir que estados e municípios possam utilizar os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no estabelecimento de convênios com nossas comunidades para o atendimento das famílias nas escolas comunitárias confessionais.

A Igreja em São Paulo, com a ajuda de muitos parceiros, quer ampliar sua presença na vida das famílias e na formação das futuras gerações. Esperamos contar com a colaboração do futuro gestor de nossa cidade.

Professor Edivan Mota, diretor-executivo da Confederação Nacional da Família e da Educação


Os olhares da Igreja sobre os problemas da cidade e as soluções possíveis
Maria Leonor Gattolini

ATENÇÃO ÀS FAMÍLIAS

Queremos que: se aprove o homeschooling na cidade de São Paulo; interrompa-se o serviço de aborto nos hospitais municipais; se proíba o ensino da “Ideologia de Gênero” nas escolas do município; haja apoio às escolas comunitárias, filantrópicas e confessionais, a serem viabilizadas com recursos do Fundeb, extensivo a toda a educação básica; que a Prefeitura promova parcerias com associações de famílias para criação de centros de cultura, artes e humanidades; bem como o apoio à recuperação de habitações degradadas para famílias com três ou mais filhos;

Além disso, que haja incentivo às famílias numerosas, com redução progressiva do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em função do número de filhos; adoção de bilhetes de família no serviço de transporte urbano, com descontos proporcionais de acordo com o número de pessoas na família; criação, em parceria com empresas privadas, do programa “Empresas Amigas da Família”, fomentando práticas empresariais e familiarmente responsáveis, como contratações e bonificações extras aos pais de famílias numerosas, vinculando a incentivos fiscais; e criação do programa de bolsas de estudos a filhos de famílias numerosas.



Fonte: https://osaopaulo.org.br/destaque/os-olhares-da-igreja-sobre-os-problemas-da-cidade-e-as-solucoes-possiveis/

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

LUTA. LUTA CONTÍNUA. NÃO FANATISMO

 

                                                                                                                    S. Josemaría Escrivá



"Nada há de mais estranho à fé católica do que o fanatismo. Este conduz a estranhas confusões, com os mais diversos matizes, entre o que é profano e o que é espiritual. Tal perigo não existe, se a luta se entende como Cristo no-la ensinou, isto é, como guerra de cada um consigo mesmo, como esforço sempre renovado por amar mais a Deus, por desterrar o egoísmo, por servir todos os homens. Renunciar a esta contenda, seja com que desculpa for, é declarar-se de antemão derrotado, aniquilado, sem fé, com a alma caída e dissipada em complacências mesquinhas.


Para o cristão, o combate espiritual diante de Deus e de todos os irmãos na fé é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se alguém não luta, está a trair Jesus Cristo e todo o Corpo Místico, que é a Igreja.


(S. Josemaría Escrivá, Cristo que passa, São Paulo, Quadrante, ponto 74). 

sábado, 21 de novembro de 2020

QUAL A CONTRIBUIÇÃO DE SÃO JOSEMARÍA ESCRIVÁ À TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA?

 D. Fernando Ocáriz responde à pergunta:


    A contribuição de São Josemaría alcança múltiplos setores da teologia. São muitos os temas nos quais se encontram ensinamentos seus de grande profundidade e força inspiradora. Por exemplo, cabe assinalar a universalidade à vocação de santidade e ao apostolado; a identidade e a missão dos leigos na Igreja; a centralidade da filiação divina do cristão e a sua identificação com Jesus Cristo; a Santa Missa como centro e raiz da vida cristã; a santificação do trabalho; a relação entre o sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial; a unidade de vida; o caráter vocacional do matrimônio; a bondade original do mundo e a história como processo para reconstruir, depois do pecado, a ordenação a Deus de todas as coisas. São ensinamentos dados não em forma acadêmica, mas como expressões da luz de Deus que recebeu no dia 2 de outubro de 1928, data fundacional do Opus Dei. Como afirmou João Paulo II numa ocasião, referindo-se a São Josemaría, a teologia progride e enriquece-se a partir do Evangelho, com o impulso da experiência das grandes testemunhas do Cristianismo.


Fonte:    OCÁRIZ, Fernando, 1944 - Sobre Deus, a Igreja e o mundo. Entrevista a Rafael Serrano. Trad. de Nicolau Cavalcanti. S. Paulo, Quadrante, 2013. p. 19 

                

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O QUE TODO CATÓLICO PRECISA SABER SOBRE KAMALA HARRIS

 


Créditos: Divulgação/Internet

Recentemente, o nome do candidato à presidência dos Estados Unidos Joe Biden, está super em alta na internet. A mídia já anunciou que ele foi o vencedor da disputa mesmo sem o processo de apuração de votos ter sido encerrado oficialmente no país.

Por estar mais nos holofotes, os católicos já têm uma ideia do que esperar de Joe Biden, mas poucos conhecem as propostas e a ideologia de sua vice, Kamara Harris.

Ela foi Fiscal Geral da Califórnia entre 2013 e 2017 e atuou como senadora pelo estado de 2017 até o momento.

Aqui te apresentamos brevemente algumas de suas ideias que poderiam afetar temas como a vida, a família e a liberdade religiosa.


Promotora do aborto

Como comentou o National Catholic Register, Kamala Harris tem um importante antecedente na promoção da política abortiva.

Um sinal muito preocupante para os defensores da vida é que durante o período em que esteve no Senado, Harris obteve uma pontuação de 100% de uma organização que promove o aborto nos Estados Unidos.

Kamala Harris ainda votou duas vezes contra a lei de proteção de sobreviventes de abortos nascidos vivos. Tratava-se de um projeto de lei que requeria que os médicos dedicassem a mesma atenção aos bebês que sobrevivessem a abortos que deram errado como a qualquer outro recém-nascido.

Além disso, a ex-senadora concorda com eliminar todas as restrições ao aborto, para que seja possível acabar com a vida do bebê mesmo depois de 20 semanas. Atualmente existe uma lei que proíbe isso.

Também enquanto foi Fiscal Geral da Califórnia, Harris processou dois jornalistas pró-vida do Center for Medical Progress que investigaram a Planned Parenthood, uma das maiores organizações que realizam abortos no país, sobre uma possível venda de partes de corpos de bebês abortados.

Perfil antirreligioso e pró-LGTBQ

Harris foi uma das responsáveis pela chamada “Lei de igualdade”, que acrescentaria proteções contra discriminação por orientação sexual e identidade de gênero às proteções existentes por raça, cor, nacionalidade, sexo, incapacidade e religião.

Vários críticos assinalaram que os conceitos de orientação sexual e identidade de gênero do projeto de lei são muito amplos. Isto significa que penalizariam o reconhecimento apropriado da diferença entre os sexos ou a diferença entre casais heterossexuais casadas ou outras duplas.

Além disso, ela co-escreveu um projeto de lei em 2019 que buscava enfraquecer as proteções da Lei de Restauração da Liberdade Religiosa nos Estados Unidos.

Acabar com este tipo de proteção significaria censurar a liberdade de expressão de ensinamentos chaves da Igreja Católica. Entre eles, questões de sexualidade, matrimônio e família, com a desculpa de que podem ser “ofensivas” a terceiros.

Em 2018, também no Senado, Harris atacou um juiz em plena audiência por ele ter um vínculo com os Cavaleiros de Colombo (associação fundada pelo beato Pe. Michael Givney). Ela argumentou que sua participação em uma organização católica caritativa o desqualificava para o cargo.

Rezemos pelos Estados Unidos!

Fonte: https://pt.churchpop.com/o-que-todo-catolico-precisa-saber-sobre-kamala-harris-a-vice-de-joe-biden/


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

NOSSA ALMA DEVE SER DE ADMIRAÇÃO E DE TERNURA

 

Valter de Oliveira


Muito se pode dizer sobre a alma humana. Uma é que ela deve ser nutrida pela admiração e pela ternura.

Ad-mirar. olhar para. Admiramos quando contemplamos, de certo modo extasiados,  o que é excelente, o que é belo, o que está acima de nós, o que nos transcende. É alegrar-se quando vemos alguém maior do que nós, que voou mais alto. É ver no outro ou nas coisas imagens diferentes de Deus. 

Ternura é quando nos encantamos com algo que, de algum modo, é ou pode parecer menor do que nós. O sorriso e a inocência das crianças; a fragilidade cheia de dignidade e bondade de um idoso; o doce encanto das flores. 

A admiração pelo maior pode nos elevar e até desejar morrer por ele. Quando Carlos X teve que abdicar, um nobre soldado o olhou comovido e disse reverentemente: "Vous êtes mon roi, je voudrais mourrir pour vous". Vós sois o meu rei, eu queria morrer por vós. 

A admiração é o oposto do espirito invejoso, de quem não suporta ver algo de superior nos outros.


Curiosamente a ternura, também nos faz ver tudo de belo que há no menor. Nas flores, nas joias, no regato, na criança, no homem frágil, no pobre, até no miserável. 

E nos convida a ter um olhar de ternura, de proteção, de serviço. Se necessário de sacrifício, de generosidade, de holocausto. 

Virtudes são como o arco gótico. Um lado equilibra o outro. Daí sua beleza, daí sua força. 

Que a alma de cada um de nós seja como um arco gótico, sempre apontando para o Céu.


Termino convidando a todos a ver um belo exemplo de ternura. É uma menina cantando.

Ternura admirável. Ternura cada vez mais necessária em um mundo onde nos apresentam tantas coisas tristes. Ternura que ao invadir nossas almas pode nos fazer mais fortes no caminho do bem, da beleza, da verdade.

Vejam aqui: The amazing Amira singing 'O Mio Babbino Caro'! From the DVD 'Love in Venice', available at:

https://www.facebook.com/andrerieu/videos/10158979200617425




segunda-feira, 26 de outubro de 2020

A TIBIEZA E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

 

Pe. Francisco Faus






Esposa do Espírito Santo,

Mãe da Divina Graça!

Fazei-nos compreender que as alegrias de Deus,

que ninguém pode tirar,

só podem ser usufruídas

pelas almas que se empenham em viver a sério

a santidade a que Jesus nos chamou:

Sede pois perfeitos,

Como é perfeito vosso Pai que está nos céus.



Fazei-nos entender, Mãe nossa,

que essas alegrias,

intimamente unidas

à paz que o mundo não pode dar,

são fruto do Espírito Santo

-Que é o Amor no seio da Trindade -,

da docilidade à sua Graça, às suas inspirações

e, sobretudo, aos seus sete Dons. 


(...)


Por isso Mãe, nós vos pedimos:

- Não permitais que esse fogo se apague.

Livrai-nos do desleixo espiritual,

da moleza consentida, 

da displicência nas coisas de Deus,

da piedade formal e do dever rotineiro, 

da indiferença para com o próximo,

a convivência disfarçada com as tentações,

do desejo mascarado de tirar uma lasquinha

de cada um dos sete pecados capitais


(...)


Ajudai-nos a entender especialmente, Mãe

- nesta meditação que agora iniciamos -,

que a primeira coisa

que a tibieza "afoga" na alma do cristão

- quando atraiçoamos o Amor

são os sete dons do Espírito Santo.



Os sete Dons, Senhora!

Eles são os sete sopros do Amor da Trindade

que enfunam as velas das almas em Graça

e a dirigem, veloz, para Deus

Elas são as brisas do Céu que,

suave e fortemente

impelem as velas do barco da alma,

sempre que a alma a elas se abra, generosa, 

e se deixe guiar, transparente,

como um diamante puro de três faces:

a fé, a esperança e o amor.


Fonte: A tibieza e os dons do Espírito Santo, Faus, Francisco - São Paulo, Quadrante, 2006, p. 8-10.


terça-feira, 29 de setembro de 2020

DEUS E A NOSSA LIBERDADE

Deus e a nossa liberdade


Padre Rodrigo Lynce de Faria
Para muitas pessoas a religião não tem nada a ver com a liberdade. Até lhes parece que são conceitos opostos: “se quero ser livre tenho que me libertar do jugo da religião”.

Mesmo entre aqueles que veem a religião como algo positivo, encontram-se pessoas que olham para ela somente como um conjunto de obrigações a cumprir: ir à Missa, viver de acordo com os Mandamentos, renunciar àquilo que me apetece.

Por isso, convém recordar que Deus não é inimigo da nossa liberdade. Muito pelo contrário. Foi Ele que nos deu a liberdade e respeita, como ninguém, as nossas decisões livres.

E que a liberdade fora ou à margem da verdade é ilusória: cedo ou tarde revela-se como escravidão.
“Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres” (Jo 8, 32). Que verdade é essa?

O Amor de Deus por cada um de nós. A realidade de que não somos apenas criaturas: somos filhos!

Se Deus é Pai, nós não somos autores de nós mesmos, mas sim colaboradores. Mas como alguém dizia, um dos fenômenos mais chamativos do homem moderno é que “não quer ser filho”. Considera a filiação como uma dívida insuportável que põe em causa a sua autonomia.

Mas é precisamente isso que nós somos: filhos. Podemos não ser pais, mas não há ninguém que não seja filho.

Não nos demos a vida. Recebemo-la de um modo gratuito. E reconhecer essa dependência dos nossos pais, dos nossos antepassados e, em última instância, de Deus, não equivale a negar a nossa liberdade.

Fugir do que somos não nos liberta. Abraçar a nossa condição de filhos muito amados é o que dá sentido à nossa liberdade e nos faz entender que atuar mal não é nunca uma libertação, mas sim uma escravidão.

Porque Deus, que é nosso Pai, quer sempre o melhor para nós. Esquecer isto reduz a liberdade a uma “paixão inútil”, como dizia um famoso filósofo.

Fonte. Spedeus.blogspot.com. O3 de setembro. 

domingo, 23 de agosto de 2020

PESSOAS ETERNAMENTE INFANTIS

 Rafael Llano Cifuentes


"Imaturidade – I

A imaturidade é difícil de ser definida, mas há manifestações que ajudam a entendê-la. Vejamos uma primeira manifestação: o infantilismo.
“A imaturidade deve-se, em primeiro lugar, a uma espécie de paralisação, de “fixação” numa determinada época da vida — infância, adolescência, primeira juventude… — que retarda o desenvolvimento normal da personalidade. *Um adulto acriançado* que se encontre, por exemplo, na faixa dos trinta anos continuará a procurar a solução dos seus problemas de adulto por meio dos recursos infantis; ou seja, procurará, por um procedimento pueril, infantilizado, resolver conflitos que só podem ser superados de maneira adulta.
Uma criança costuma aprender muito cedo que é capaz de obter o que deseja gritando, batendo o pé, chegando até a engasgar e a corar para amedrontar e dobrar os pais. Se tiver pais bem orientados, pode ser ajudada a superar esse modo infantil de lidar com os problemas. Mas, se tiver pais insensatos, que cedem mil e uma vezes às suas exigências impositivas, acabará por utilizar, quando for um quarentão, métodos equivalentes ao processo de gritar ou bater o pé: terá explosões periódicas, reagirá às naturais dificuldades de relacionamento no trabalho como se fossem ofensas pessoais, recorrerá aos amuos e às mágoas e, ao ver que isso já não produz o efeito desejado, refugiar-se-á no ressentimento.
Vejamos um caso. Um garotinho que precisava de atenção e carinho aprendeu que as pessoas riam quando ele deixava outros em situação ridícula. Ainda não tinha a capacidade de entender o que significava magoar alguém. Interessava-lhe apenas obter o que desejava: chamar atenção ou mostrar-se superior. Mas não conseguiu superar essa atitude mais tarde e ficou incrustado na infância, de forma que aos quarenta anos o vemos fazer gozações e pregar peças infantis como outrora… Barrigudinho e careca, com um sorriso de triunfo vazio nos lábios, permanece até o fim dos seus dias um moleque que nunca cresceu. Parou no tempo.
Na mesma linha, todos conhecemos esses indivíduos que assumiram o papel de perpétuos “engraçadinhos”, e que em todo lugar querem roubar a cena com um interminável repertório de piadas. Ou esses cinquentões que querem retornar aos seus vinte e cinco anos tingindo o cabelo, assumindo ares esportistas de uma elasticidade completamente ridícula… Ou ainda essas socialites que dão festas de aniversário para o seu poodle como se ainda fossem menininhas agarradas ao seu bichinho de pelúcia, ou essas senhoras que não aceitam a inexorável passagem do tempo e gastam fortunas com plásticas complicadas…
Tudo isso acontece bem ao nosso lado, e talvez bem dentro de nós mesmos… É possível que se encontrem nessa situação os nossos filhos, os nossos irmãos, os nossos amigos… ou os nossos chefes e dirigentes. Temos de ter a coragem de corrigi-los fraternalmente.
O mundo necessita desesperadamente de maturidade: não sejamos nós também imaturos diante da imaturidade reinante. Todos temos de ajudar-nos mutuamente a progredir, começando por nós mesmos”.

Extraído do livro “Maturidade”, de Rafael Llano Cifuentes. Editora Quadrante.
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