quinta-feira, 7 de julho de 2011





Assinado por José Miguel Cejas
Data: 28 de março de 2011





No filme de Roland Joffe There Be Dragons, o cinema apresenta, pela primeira vez, a vida de São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei. Apesar de não ser um filme biográfico sobre sua figura, o espectador se questiona até que ponto o personagem do filme reflete claramente o verdadeiro personagem. Perguntamos a Constantine Anchel, pesquisador do Centro de Documentação e Estudos Josemaria Escrivá de Balaguer, da Universidade de Navarra.

Charlie Cox como Josemaría


- Josemaría Escrivá é o único personagem real entre os protagonistas do filme There Be Dragons. Embora seja um filme de ficção, você acha que o roteiro de Roland Joffe reflete seu caráter e sua atuação durante os anos abrangidos pelo filme?
Charlie Cox e São Josemaría Escrivá


- Há outros personagens do filme que têm algum suporte histórico neste filme de ficção, por exemplo, os pais de Josemaría e alguns dos primeiros membros do Opus Dei, como Isidoro Zorzano, Juan Jiménez Vargas e Pedro Casciaro. Este filme reflete uma série de traços da personalidade de Escrivá, embora, é claro, ele foi muito mais rico e mais profundo do ponto de vista espiritual e humano. Na minha opinião, Joffe, como roteirista e diretor, está mais preocupado em mostrar o sentido da história e da figura do jovem fundador que para mostrar com detalhe este ou aquele evento. Nesse sentido, a visão oferecida corresponde fielmente à personalidade e aos ensinamentos de São Josemaria: o significado do perdão, o seu zelo pelas almas, etc. Evidentemente, é um drama épico, e não um filme biográfico sobre sua figura. Tem muitos aspectos que não são apresentados, mas isto é um filme. Não é um livro de história.

Rara equanimidade

- No filme temos a impressão de que São Josemaria não toma partido com a divisão que produziu a guerra civil. Qual atitude manteve, realmente, o fundador diante da Segunda República e ante a rebelião militar e a guerra?

- Sua atitude foi sempre verdadeiramente sacerdotal. Na Segunda República sua atitude foi muito semelhante à de muitos outros espanhóis de diferentes tendências. No começo estava a expectativa, mas o aspecto anticlerical de muitas das leis promulgadas desde o início do primeiro governo da República desgostou-o profundamente, como a tantos católicos. Esta situação é agravada pela inação das autoridades diante de muitas das atrocidades que ocorreram contra a Igreja. Por exemplo, no dia 13 maio de 1931, em Madri, diante do perigo da massa popular incendiar o edifício do Patronato dos Enfermos onde morava, teve que mudar de casa com sua mãe e irmãos para um apartamento que estava próximo na rua Viriato, como conta em seu diário íntimo (1). Perante estes fatos, o seu conselho era o mesmo que repetiu muitas vezes ao longo de sua vida: "rezar, perdoar, compreender e desculpar." Nesse sentido, o filme There be dragons reflete muito bem sua insistência na necessidade da compreensão e do perdão. Manteve essa mesma postura durante a guerra civil: ninguém que conviveu com ele durante os turbulentos anos se lembrou de ter ouvido qualquer comentário sobre isso, nem mesmo uma avaliação do papel político e militar de Franco. Por exemplo, José Luis Rodríguez-Candela, que dividiu moradia com o fundador da Legação de Honduras durante vários meses, deixou escrito: “Era assombrosa a sua equanimidade para julgar fatos que por sua gravidade afetavam profundamente a todos”. E acrescentava: “Nunca se pronunciou com ódios nem com rancor ao avaliar qualquer pessoa (...). Doía-lhe o que estava acontecendo (...). E quando os outros celebravam vitórias, dom Josemaria permanecia calado”. Todos se lembram de que desejava com todas as suas forças o fim da guerra e o fim das mortes e do ódio, e sempre pediu perdão e reconciliação. Um de seus biógrafos, Vázquez de Prada, conta que uma vez foi vê-lo uma pessoa cujos parentes foram assassinados pelos comunistas num matagal, na bifurcação de uma estrada. Explicou a dom Josemaria que queria erguer uma grande cruz naquele lugar, em memória dos seus familiares mortos. “Você não deve fazer isso”, disse, "porque te move o ódio, não a cruz de Cristo, mas a cruz do diabo "(2). Outra testemunha privilegiada daquela época foi Pedro Casciaro, um membro do Opus Dei, que era filho de um presidente provincial da Frente Popular. Casciaro conta em seu livro de memórias que Escrivá “Nunca conversava sobre política: queria e rezava pela paz e pela liberdade das consciências, desejava, com seu coração grande e aberto a todos, que todos voltassem e se aproximassem de Deus" ( 3).

- No filme há uma perseguição contra a Igreja Católica, com assassinatos de padres e leigos. Qual foi a atitude de São Josemaria ante esses fatos?

- Sentia uma dor profunda, sempre cheia de perdão. Quando era um refugiado numa casa da rua Sagasta deram-lhe a notícia, como anotou em seu diário Manuel Sainz-los Terreros - do assassinato de um amigo especial, Don Pedro Poveda, fundador do Teresiano, o que lhe causou uma grande dor . Sua reação foi sempre profundamente sobrenatural.

O perdão e a reconciliação

- O filme é uma história de perdão e reconciliação. Será que São Josemaría teve uma maneira especial de viver estas virtudes em eventos na sua vida?

- Sim, porque, como muitos fundadores e pessoas que desbravaram novos caminhos na vida da Igreja, ele sofreu inúmeras incompreensões nos primeiros anos do Opus Dei, especialmente no início dos anos quarenta, na atmosfera rarefeita de sociedade espanhola após a guerra. Sua resposta a esses equívocos foi sempre o perdão. O cardeal Julian Herranz, que conviveu com ele durante muitos anos, relata em seu livro de memórias Deus e audácia que um dia, após sair de uma recepção num lugar de Roma, se encontrou com uma pessoa que o tinha difamado durante anos. Estava chovendo e são Josemaría se aproximou para perguntar se ele tinha meios para ir para sua casa. Esta pessoa disse que não, e o fundador se ofereceu para levá-lo de carro, junto com outro conhecido. Quando o deixaram em casa, esse conhecido disse friamente: - Não o entendo, Padre, esse senhor é uma das pessoas que mais o tem caluniado... E leva-o a sua casa, tão feliz! - Sim, sinto-me feliz, respondeu, porque Deus me deu a oportunidade de viver a caridade de Cristo (3).

- Há momentos no filme que aparece Josemaria mergulhado na dúvida. Foi assim mesmo? Por qual motivo?

- Suponho que se refere aos momentos de dúvida na ermida de Pallerols, na fuga pelos Pireneus. São Josemaria, novamente, naqueles momentos teve as mesmas dúvidas que já havia experimentado em Madri, antes de iniciar essa jornada. O que devia fazer? Manter-se em Madri, onde vivia sua mãe, seus irmãos e alguns membros do Opus Dei, ou tentar passar ao outro lado, onde pudesse exercer livremente o seu ministério sacerdotal, e onde também havia outros membros do Opus Dei para atendê-los espiritualmente? Mais que a incerteza que supunha essa saída clandestina, o que lhe preocupava era saber se estava cumprindo ou não a vontade de Deus. Naquelas circunstâncias, fez algo que nunca fez: pediu um sinal a Deus.

E reconheceu esse “sinal” em uma rosa de madeira estofada (ou dourada, segundo o site: http://www.pt.josemariaescriva.info/artigo/festa-do-encontro-da-rosa), que provavelmente vinha de um retábulo da Virgem, que encontrou entre os destroços daquela ermida (4). No meu parecer, Joffe conseguiu expressar esse episódio com grande vivacidade, numa das sequências mais bonitas e bem-sucedidas do filme.


_______________________

Notas
(1) Notas íntimas, n. 202, 20-V-1931, já citada em Vázquez de Prada, A., O Fundador do Opus Dei. A vida de Josemaría Escrivá de Balaguer, vol. I, Rialp, Madrid (1997), p. 359.

(2) Vázquez de Prada, A., O Fundador do Opus Dei. A vida de Josemaría Escrivá de Balaguer, vol. II, Rialp, Madrid (2002), p. 383.

(3) Herranz, J., Deus e audácia, Rialp, Madrid (2011).

(4) Vázquez de Prada, cit., A., vol. II, cap. X.


Padre, soy judía



O video que motivou Roland Joffé a dirigir o filme "There Be Dragons"
(duração: 2:15 min)


O senhor tinha ideias sobre o modo de apresentar a guerra civil espanhola ou sobre alguns personagens, como São Josemaría Escrivá?

Roland Joffé: Eu não sabia muito sobre Josemaría antes de que me pedissem para gravar o filme. Foi assim que aconteceu: um dia, um dos produtores do filme veio à Holanda para me convencer de que o fizesse. Trazia livros e materiais, incluído um DVD sobre Josemaría. Tivemos uma refeição muito agradável e, regressando a casa, a pé, pensava: “Não tenho vontade de fazer este filme. Tenho outro projeto ambientado na Índia e trabalhei muito para alcançá-lo”. Então eu pensava em rejeitá-lo. Era uma noite de verão, de modo que saí ao jardim, com uma taça de vinho na mão, pus o DVD no leitor e me sentei diante do computador para escrever uma breve carta que dizia: “Querido X, muito obrigado. Aprecio que tenha empreendido toda esta viagem, mas penso que verdadeiramente você deveria buscar em outro lugar”. Enquanto isso, o DVD continuava funcionando. Um momento da narração chamou minha atenção: Josemaría se dirigia a uma multidão, no Chile, talvez, ou na Argentina, não estou seguro do lugar, e uma jovem levanta a mão e diz: “Tenho uma pergunta, sou judia”. E Josemaría responde: “Sim, diga-me, por favor”. Ela acrescenta: “Meu mais fervente desejo é me converter ao catolicismo”. Josemaría: “É?” Ela continua dizendo: “Mas sou menor de idade e meus pais não me permitem”. Josemaría responde prontamente: “Seja muito boa com seus pais. Tenha paciência e reze. Não demonstre nenhum gesto de revolta. Está claro? Ame muito os seus pais [...] e jamais uma palavra de crítica a eles. Ame-os com toda alma. E demonstre-o com os fatos. De acordo? Será uma boa filha de Cristo se for uma boa filha de seus pais”. Ao ver esse momento do vídeo, dizia-me: “Que momento maravilhoso! Que momento inesperado, e sobretudo vindo de uma organização da qual todo o mundo esperaria que dissesse o contrário”. Estava lhando para meu computador e dizia: “Espere um momento”. Desliguei o DVD. Deixei de escrever a carta. Pus o chapéu de diretor de cinema e escrevi uma cena, em que Josemaría aparece com um homem, a ponto de morrer, a quem já conhecia, que lhe diz que é judeu e que seu sonho era se converter. Escrevi a cena do começo ao fim, sem deixar de pensar: “tenho realmente vontade de ver isso num filme. Mas não verei nunca, se não fizer o filme, verdade? Ou marcarei esta cena em outro filme?” No lugar da primeira carta, escrevi: “Querido X, estou verdadeiramente interessado neste projeto, com a condição de dispor de toda a liberdade de criação para fazê-lo como quiser, e se você aceitar o fato de que não sou muito brilhante e que farei o melhor possível, mas que tenho de seguir minha própria verdade. Se você estiver de acordo, gostaria verdadeiramente de realizar este projeto”. Isso é mais ou menos o que aconteceu. Eu não tinha nenhuma ideia preconcebida sobre Josemaría. Tinha escutado algo sobre ele, mas sobretudo foi essa passagem do DVD que suscitou meu interesse em realizar o filme.

domingo, 22 de maio de 2011


BRASIL, 5 DE MAIO DE 2011:
O DIA DA VERGONHA


A decisão do STF sobre as uniões homossexuais e a responsabilidade dos católicos


Valter de Oliveira



5 de maio foi um dia de alegria para os defensores da cultura da morte, de vergonha para o Brasil e nossas instituições políticas, de luto para todos os que acreditam nos Dez Mandamentos e no Evangelho de Cristo.

Neste artigo não quero discutir os aspectos jurídicos e políticos da decisão do Supremo Tribunal Federal. Tampouco analisar o desrespeito pela constituição na decisão dos ministros da Suprema Corte. Estes já foram objeto de análise em artigos e blogs. Alguns, começo a colocar em meus sites para conhecimento dos amigos leitores. Hoje, o que quero discutir aqui é a responsabilidade dos católicos na luta em defesa dos valores da fé cristã.

1. Um pouco de história

Desde o século XIX os Papas vem alertando os católicos para a atuação de homens, grupos, partidos, que tinham por objetivo criar uma sociedade radicalmente anticristã e atéia. Também nas fileiras revolucionárias encontramos inúmeros textos que confirmam a preocupação da Igreja. Basta ler os textos dos teóricos do laicismo e dos autores marxistas, sempre contrários à família e à moral “burguesa” e defensores ardentes do amor livre. Mais recentemente todos os seus seguidores dedicaram-se com empenho e muito dinheiro a advogar toda sorte de degradação moral. Mas, para isso, tiveram a habilidade de mudar o valor das palavras e infestaram o linguajar filosociológico de eufemismos. O impuro virou puro, o indigno passou a ser considerado nobre. Tudo o que antes era tido por vergonhoso e que degrada o homem passou a ser defendido em nome da justiça, da igualdade, da não discriminação, do pluralismo, da civilização, e, por incrível que pareça, até da dignidade humana... Não foram essas palavras abundantemente usadas por nossos ministros na votação do último dia 5?

2. Um exemplo: a palavra discriminação

Sobre o uso desta palavra podemos ler no Lexicon, publicado pelo Pontifício Conselho para a Família:

“Provavelmente um dos instrumentos lingüísticos usados com maior regularidade é a pós-moderna “discriminação”, que se tornou hoje o termo pejorativo por excelência. Sua utilização pressupõe uma suposta culpa, uma não inocência. As palavras qualificativas “justo” e “injusto” são sempre ignoradas” (1) (artigo Manipulação da linguagem p. 575.”)

Discriminar, etimologicamente, significa separar, rejeitar, e também elencar, selecionar. Nossos pais ensinavam-nos a evitar certas companhias, tidas como prejudiciais a um sadio crescimento. Tal atitude não era considerada discriminatória, muito pelo contrário.

Com a manipulação da linguagem começou-se a utilizar a palavra nas mais diversas situações e muita gente não viu todos os perigos para a vida moral e social no seu uso... indiscriminado...

Discriminação é apenas uma palavra disseminada pelos ideólogos totalitários e anticristãos do “politicamente correto”. Todas utilizadas para fazer uma baldeação ideológica na opinião pública. Técnica e estratégia perfeitamente conforme a revolução marxista gramsciana.

3. O papel da elite católica

Lamentavelmente nossa elite católica não viu ou não quis ver como essas palavras foram sendo utilizadas por todos os que não aceitam a influência cristã na sociedade. Basta ver que até aqueles que lutam pela fé, criticaram o STF, mas fizeram questão de afirmar que são contra a discriminação!... Caíram na armadilha revolucionária. Deixaram os adversários fazer as regras do jogo.

Digamos que líderes católicos, leigos ou religiosos, não têm a obrigação de conhecer os meandros da política e as complexidades das ideologias. Discordo. Homens e mulheres de fé não podem ser alienados. E todos têm obrigação de, no mundo temporal, exercer a mais plena cidadania.

Na elite clerical temos dois problemas. Um setor simplesmente aderiu ao ideário revolucionário. São todos os que se apaixonaram pela Teologia da Libertação.

Outros decidiram empurrar a doutrina católica, especialmente a que se refere aos valores familiares, para baixo do tapete. A moral cristã, claramente especificada, desapareceu de muitos sermões. Receio de desagradar os fiéis e parecer retrógrados? Ou falta de fé e convicção?

4. Um exemplo: a questão do aborto nas últimas eleições

Na reta final das eleições do ano passado um grupo de bispos e um punhado de valorosos leigos ousou advertir os fiéis sobre os perigos de um eventual governo Dilma e das intenções do PT em avançar em seu trabalho de descristianização da sociedade. O que aconteceu? A cúpula da CNBB criticou os defensores da vida que teriam falado em nome da entidade. Outros bispos silenciaram. Um terceiro grupo, ligado à Teologia da Libertação, saiu em defesa de Dilma e do PT, pretensos defensores dos pobres e da justiça social.

A questão apavorou todos os laicistas. Do governo e da oposição. Ficaram com medo de perder a opinião pública.

Nossa elite perdeu a oportunidade de colocar a questão nos devidos termos. Não soube exigir nem do governo e nem da oposição um compromisso com os valores familiares. Não soube denunciar o projeto da cultura da morte, que é internacional, apoiado pela ONU, grandes capitalistas e todos os partidos pró-marxistas. Bobamente ficou discutindo o passado de Dilma.


A decisão do STF, do dia 5, é uma bofetada na face da elite católica omissa: dos “conservadores” tímidos e eternamente “otimistas” que acreditam que no diálogo científico com nossa oligarquia podem fazer com que os políticos não sigam sua própria ideologia e interesses(2); dos “piedosos” de sacristia cuja visão não ultrapassa os muros das paróquias, dos “progressistas” que dizem que abominam as estruturas do pecado e se associam eufóricos à oligarquia mundial que promove a globalização de Sodoma e Gomorra.

Gostaríamos de lembrar a todos, especialmente aos que se empenharam para a vitória política do ideário petista, que a maior parte dos ministros do STF foi indicada por Lula. E confirmada por seus aliados oligárquicos do Senado.

A partir de agora os que têm autoridade na Igreja vão ter que se defrontar com algumas situações concretas. O que farão, por exemplo, diante de casais gays que quiserem matricular seus filhos adotivos em escolas católicas? Casais gays poderão assistir missa de mãos dadas? E se a lei exigir que os senhores celebrem “casamentos” homossexuais? Diante de questões como essa a quem seguirão: S. Thomas More ou o episcopado cismático da Inglaterra de Henrique VIII.?

No Brasil e no mundo o Tsuname revolucionário avança. Ele não vai se contentar com a vitória obtida no dia da vergonha. As últimas muralhas do Estado de Direito e da decência foram derrubados. Novas minorias vão exigir seus “direitos”. Pedófilos e escravos da bestialidade (ou devemos chamá-los de bestialafetivos?) já receberam o sinal verde dos ilustres magistrados.

Magistrados que mais uma vez podem passar por cima do Legislativo e começar a penalizar católicos “intolerantes” como nós.

Todos eles morrerão. Não demorará muito. Espero que um dia se lembrem que são apenas pó. E que ao transpor os umbrais da morte estarão face a face com Cristo.

Que a Virgem interceda por nossas almas!

Notas:

1. Lexicon, Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. Pontifício Conselho para a Família. Edições CNBB, 1ª edição, 2007.

2. Com isso não quero dizer que um trabalho sério com os detentores do poder não pode e não deva ser realizado. Digo apenas que a classe política desde Maquiavel tem sua própria ética. No geral não mudarão de caminho a não ser por receio de perder sua influência. Até eles reconhecem isso. Uma pinça precisa ter dois lados. Não apenas um.

domingo, 31 de outubro de 2010

Pedimos licença a nossos leitores, pois devido ao tema abordado neste artigo, usaremos o vocabulário específico da cartilha de educação sexual do Município de Embu, em São Paulo. Esse vocabulário não é delicado, no entanto, é necessário que todos estejam a par do tipo de ensinamentos a que são submetidas as crianças e jovens desta cidade.

Sonia Rosalia

A EDUCAÇÃO QUE O PT OFERECE

Um pedido aos bispos e religiosos pró-Dilma
Uma reflexão aos pais de família


Valter de Oliveira



Acabei de ler um artigo do bispo de Caçador, S. Catarina, D. Luiz Carlos Eccel, defendendo o voto em Dilma Roussef.

Como cidadão o sr. bispo tem o direito de votar em quem bem desejar. Ele é responsável diante de Deus por seus atos.

O que espanta é vê-lo afirmar que a candidata e o PT merecem nosso voto. Que o projeto petista é conforme a Fé e ao Evangelho. Que podemos votar neles.

Como simples cidadão e fiel convido D. Luiz Carlos, bem como os 7 prelados que lançaram manifesto pro-PT, que manifestem suas opiniões, como bispos católicos, sobre a educação sexual vista pela ótica petista.

Peço também que meus leitores e amigos dêem sua opinião.


Discutindo Sexualidade no Embu das Artes
Tudo que você precisa saber sobre sexualidade, aids, DSTs e prevenção

Este é o título de cartilha do governo municipal de Embu das Artes, SP, distribuído nas escolas do Município. Vamos ver alguns pontos abordados.


1. Adolescência.

Namoro: “é ter alguém para compartilhar carícias e intimidades. (...) É gostar, amar essa pessoa e receber amor, pode rolar sexo ou não, pode durar bastante ou não. (...) Namoramos por amor, por atração sexual, por tesão, ... por vários motivos”.

O “Ficar”.

“Ficar não significa que você seja uma galinha ou um garanhão, ficar é uma forma de conhecer várias pessoas e descobrir novos sentimentos e emoções. O importante é que você se sinta bem, respeitando (sic!) a si próprio e aos outros, amadurecendo e assumindo suas escolhas”.

A transa.

“O encontro amoroso entre duas pessoas desperta naturalmente o desejo pelo prazer do sexo”. (...)

“Um momento especial, num lugar especial, um tesão incontrolável, e pronto...rola o sexo. A primeira transa geralmente acontece assim ( e aí vem “conselhos” sobre a importância de estar preparado com camisinha...) O namoro, o ficar, o transar com homem ou mulher, ou com os dois, é tudo uma questão de escolha”. (o destaque é da cartilha).

Corpo erótico

São explicadas as transformações do corpo na adolescência e concluem esta parte com as seguintes palavras: “Porém, a maior e mais gostosa transformação é a descoberta do corpo erótico, a descoberta do prazer de se apalpar, das deliciosas e silenciosas sensações que vibram no corpo inteiro quando o adolescente se masturba”.

Masturbação

“A masturbação (...) não é apenas um ato solitário que envolve fantasias e desejos, é um momento de intimidade que também pode ser praticado a dois, pois proporciona sensações gostosas, alívio das tensões” (...). “Não é de forma nenhuma um desvio de comportamento”. A revista adverte, porém, que “ a prática freqüente pode estar relacionada a tensões e ansiedades”. É preciso ser temperante...

O Sexo oral

Depois de explicar no que ele consiste os autores da cartilha afirmam: “É uma das formas de ter prazer sexual e não existe nada de errado em faze-lo, desde que você goste e esteja com vontade”. (...) não faz mal para a saúde, mas é importante que seja seguro para se proteger de DST e da AIDS”.

O Sexo Anal

Os autores consideram que “pode ser, para ambos os sexos, uma importante área de prazer”. (...) “E isso não significa, no caso dos garotos, que estes sejam homossexuais”.

A Homossexualidade

Após explicar os tipos de homossexualismo e o que é orientação sexual os “educadores” de Embu terminam com essa preciosidade: “Como diria o poeta, “qualquer maneira de amor vale a pena”, sem violência e com respeito à vontade e ao desejo de cada um.

A quem é dirigida a Cartilha de Embu das Artes?

“Material desenvolvido (...) para distribuição aos alunos do Ensino Fundamental 1º ciclo (3ª e 4ª séries), Fundamental 2º Ciclo, Ensino Médio, Eja e Mova (40,000 exemplares)”.
Ou seja: começa com crianças de 8 anos! (1)

Pois bem caros amigos, os criadores dessa abominável cartilha lembram candidamente que “é fundamental o respeito pela dignidade e igualdade de cada pessoa”.

Qual pai de família gostaria de ver suas filhas e filhos expostos a tanta doutrinação erótica? Ou a palavra mais adequada é pornográfica?

Tal doutrinação não é circunscrita apenas à cidade de S. Paulo. Movimentos sociais ligados umbilicalmente ao PT a estão espalhando por todo o país.

Se o PT – basta consultar os documentos deles – quer construir uma sociedade relativista e hedonista, com plena autonomia do corpo, rejeitando todos os ensinamentos da Igreja em matéria de sexualidade, como afirmar que a vitória de Dilma será o triunfo do Reino de Deus?

Ficaria muito grato aos senhores bispos e religiosos petistas caso nos dissessem no que a “educação” da cartilha petista respeita os ensinamentos de Cristo e da Igreja.

Na última capa lemos: Publicação contemplada pelo FUMCAD – Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Lei Municipal nº 2031 de 02.01.20003), gerenciado pelo DMDCA – EMBU. Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Revista disponível para dowload (sic!) no site www.embu.sp.gov.br

A que tenho em mãos é a 2ª edição, revisada...

Tudo com financiamento do Ministério da Saúde e apoio do Ministério da Educação.

Com tristeza terminamos lembrando as palavras de Cristo: "É impossível que não haja escândalos, porém, ai daquele por quem eles vêm! Seria melhor para ele que lhe pendurassem ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse precipitado no mar, do que ser causa de escândalo para um destes pequeninos.” (Lucas 17, 1-2)


Nota: