terça-feira, 29 de setembro de 2020

DEUS E A NOSSA LIBERDADE

Deus e a nossa liberdade


Padre Rodrigo Lynce de Faria
Para muitas pessoas a religião não tem nada a ver com a liberdade. Até lhes parece que são conceitos opostos: “se quero ser livre tenho que me libertar do jugo da religião”.

Mesmo entre aqueles que veem a religião como algo positivo, encontram-se pessoas que olham para ela somente como um conjunto de obrigações a cumprir: ir à Missa, viver de acordo com os Mandamentos, renunciar àquilo que me apetece.

Por isso, convém recordar que Deus não é inimigo da nossa liberdade. Muito pelo contrário. Foi Ele que nos deu a liberdade e respeita, como ninguém, as nossas decisões livres.

E que a liberdade fora ou à margem da verdade é ilusória: cedo ou tarde revela-se como escravidão.
“Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres” (Jo 8, 32). Que verdade é essa?

O Amor de Deus por cada um de nós. A realidade de que não somos apenas criaturas: somos filhos!

Se Deus é Pai, nós não somos autores de nós mesmos, mas sim colaboradores. Mas como alguém dizia, um dos fenômenos mais chamativos do homem moderno é que “não quer ser filho”. Considera a filiação como uma dívida insuportável que põe em causa a sua autonomia.

Mas é precisamente isso que nós somos: filhos. Podemos não ser pais, mas não há ninguém que não seja filho.

Não nos demos a vida. Recebemo-la de um modo gratuito. E reconhecer essa dependência dos nossos pais, dos nossos antepassados e, em última instância, de Deus, não equivale a negar a nossa liberdade.

Fugir do que somos não nos liberta. Abraçar a nossa condição de filhos muito amados é o que dá sentido à nossa liberdade e nos faz entender que atuar mal não é nunca uma libertação, mas sim uma escravidão.

Porque Deus, que é nosso Pai, quer sempre o melhor para nós. Esquecer isto reduz a liberdade a uma “paixão inútil”, como dizia um famoso filósofo.

Fonte. Spedeus.blogspot.com. O3 de setembro. 

domingo, 23 de agosto de 2020

PESSOAS ETERNAMENTE INFANTIS

 Rafael Llano Cifuentes


"Imaturidade – I

A imaturidade é difícil de ser definida, mas há manifestações que ajudam a entendê-la. Vejamos uma primeira manifestação: o infantilismo.
“A imaturidade deve-se, em primeiro lugar, a uma espécie de paralisação, de “fixação” numa determinada época da vida — infância, adolescência, primeira juventude… — que retarda o desenvolvimento normal da personalidade. *Um adulto acriançado* que se encontre, por exemplo, na faixa dos trinta anos continuará a procurar a solução dos seus problemas de adulto por meio dos recursos infantis; ou seja, procurará, por um procedimento pueril, infantilizado, resolver conflitos que só podem ser superados de maneira adulta.
Uma criança costuma aprender muito cedo que é capaz de obter o que deseja gritando, batendo o pé, chegando até a engasgar e a corar para amedrontar e dobrar os pais. Se tiver pais bem orientados, pode ser ajudada a superar esse modo infantil de lidar com os problemas. Mas, se tiver pais insensatos, que cedem mil e uma vezes às suas exigências impositivas, acabará por utilizar, quando for um quarentão, métodos equivalentes ao processo de gritar ou bater o pé: terá explosões periódicas, reagirá às naturais dificuldades de relacionamento no trabalho como se fossem ofensas pessoais, recorrerá aos amuos e às mágoas e, ao ver que isso já não produz o efeito desejado, refugiar-se-á no ressentimento.
Vejamos um caso. Um garotinho que precisava de atenção e carinho aprendeu que as pessoas riam quando ele deixava outros em situação ridícula. Ainda não tinha a capacidade de entender o que significava magoar alguém. Interessava-lhe apenas obter o que desejava: chamar atenção ou mostrar-se superior. Mas não conseguiu superar essa atitude mais tarde e ficou incrustado na infância, de forma que aos quarenta anos o vemos fazer gozações e pregar peças infantis como outrora… Barrigudinho e careca, com um sorriso de triunfo vazio nos lábios, permanece até o fim dos seus dias um moleque que nunca cresceu. Parou no tempo.
Na mesma linha, todos conhecemos esses indivíduos que assumiram o papel de perpétuos “engraçadinhos”, e que em todo lugar querem roubar a cena com um interminável repertório de piadas. Ou esses cinquentões que querem retornar aos seus vinte e cinco anos tingindo o cabelo, assumindo ares esportistas de uma elasticidade completamente ridícula… Ou ainda essas socialites que dão festas de aniversário para o seu poodle como se ainda fossem menininhas agarradas ao seu bichinho de pelúcia, ou essas senhoras que não aceitam a inexorável passagem do tempo e gastam fortunas com plásticas complicadas…
Tudo isso acontece bem ao nosso lado, e talvez bem dentro de nós mesmos… É possível que se encontrem nessa situação os nossos filhos, os nossos irmãos, os nossos amigos… ou os nossos chefes e dirigentes. Temos de ter a coragem de corrigi-los fraternalmente.
O mundo necessita desesperadamente de maturidade: não sejamos nós também imaturos diante da imaturidade reinante. Todos temos de ajudar-nos mutuamente a progredir, começando por nós mesmos”.

Extraído do livro “Maturidade”, de Rafael Llano Cifuentes. Editora Quadrante.
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sábado, 27 de junho de 2020

FREIRAS FRANCESAS MANTÊM ADORAÇÃO PERPÉTUA DO SANTÍSSIMO HÁ 135 ANOS






MESMO DURANTE A PANDEMIA

Elas começaram em 1885 e não pararam nem sequer durante o bombardeio de 1944 sobre Paris

Começou em 1º de agosto de 1885 e nunca mais foi interrompida na Basílica do Sacré-Coeur, em Montmartre, Paris, a Adoração ao Santíssimo Sacramento iniciada pelas religiosas beneditinas do Sagrado Coração, que, desde aquela data, garantem um revezamento dia e noite, 24 horas por dia, para que sempre haja pelo menos uma pessoa orando e adorando Jesus Cristo presente verdadeiramente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
A adoração não foi interrompida nem sequer durante o bombardeio sofrido pela cidade em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial.
O atual desafio decorre do confinamento imposto pelo governo francês à população do país para reduzir os contágios pelo coronavírus. As restrições à circulação de pessoas dificultaram muito a participação de leigos, o que deixa as religiosas sozinhas no revezamento. Mesmo assim, uma das religiosas, a irmã Marie-Agathe, declarou decididamente, conforme reportado pela agência Gaudium Press:
 “As próximas gerações não poderão dizer que paramos tudo por causa do confinamento”.

Ela complementa:

“Somos as únicas que podem entrar. Portanto, cabe a nós continuar a adoração perpétua. Continuar esta cadeia de oração é a nossa primeira missão. O desafio agora é nos adaptarmos para manter apenas quatorze”.
Na cúpula maior da basílica, uma lanterna sempre acesa indica a perpétua adoração.

“É um sinal de comunhão para os parisienses, uma presença de continuidade na oração. Se a oração for interrompida, esta lanterna deve ser extinta. A nossa missão durante a contenção é garantir que ela não seja extinta”.

Outra adoração perpétua ainda mais antiga


Se a adoração perpétua na Basílica do Sacré-Coeur começou em 1885, há pelo menos um caso ainda anterior que também continua até hoje: o das Irmãs Franciscanas da Adoração Perpétua (Franciscan Sisters of Perpetual Adoration), que, desde 1º de agosto de 1878, vêm mantendo pelo menos duas pessoas, dia e noite, em oração contínua diante do Santíssimo Sacramento na cidade norte-americana de La Crosse, no Estado de Wisconsin. Segundo o seu próprio site, a congregação está rezando ininterruptamente há mais tempo que qualquer outro grupo nos Estados Unidos.