segunda-feira, 2 de novembro de 2026

DUAS BELAS POESIAS SOBRE A MORTE E A ESPERANÇA

 

A morte é uma das grandes realidades da vida humana. Para o cristão, porém, ela não representa o fim de tudo, mas a passagem para a vida eterna prometida por Cristo.

Apresento duas belas poesias, ou trechos delas, que nos convidam a uma proveitosa reflexão sobre a morte, a esperança e a vida junto de Deus.


1. A PEQUENA ESPERANÇA — CHARLES PÉGUY

(Trechos de O Pórtico do Mistério da Segunda Virtude — tradução livre)

O que me espanta, diz Deus, é a esperança.

Essa pequena esperança que parece não ser nada.

Essa pequena menina esperança.

Uma chama vacilante atravessou a espessura dos mundos, dos tempos e das noites.

Uma chama impossível de apagar ao sopro da morte.


Charles Péguy (1873–1914) foi poeta, escritor e pensador francês. Sua obra, profundamente marcada pela fé cristã, dedica especial atenção às virtudes teologais, sobretudo à esperança.


2. VIVO SEM VIVER EM MIM — SANTA TERESA DE ÁVILA

(Trechos do poema)

Vivo sem viver em mim,
e tão alta vida espero,
que morro porque não morro.

Só com a confiança
vivo na certeza de morrer,
porque, morrendo, o viver
me assegura a esperança.

Morte em que se alcança a vida,
não tardes, que te espero:
morro porque não morro.

Sobre a autora: Santa Teresa de Ávila (1515–1582) foi religiosa carmelita, grande mística e doutora da Igreja. Sua poesia expressa o amor a Deus e o desejo da união definitiva da alma com Ele.

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