A morte é uma das grandes realidades da vida humana. Para o cristão, porém, ela não representa o fim de tudo, mas a passagem para a vida eterna prometida por Cristo.
Apresento duas belas poesias, ou trechos delas, que nos convidam a uma proveitosa reflexão sobre a morte, a esperança e a vida junto de Deus.
1. A PEQUENA ESPERANÇA — CHARLES PÉGUY
(Trechos de O Pórtico do Mistério da Segunda Virtude — tradução livre)
O que me espanta, diz Deus, é a esperança.
Essa pequena esperança que parece não ser nada.
Essa pequena menina esperança.
Uma chama vacilante atravessou a espessura dos mundos, dos tempos e das noites.
Uma chama impossível de apagar ao sopro da morte.
Charles Péguy (1873–1914) foi poeta, escritor e pensador francês. Sua obra, profundamente marcada pela fé cristã, dedica especial atenção às virtudes teologais, sobretudo à esperança.
2. VIVO SEM VIVER EM MIM — SANTA TERESA DE ÁVILA
(Trechos do poema)
Vivo sem viver em mim,
e tão alta vida espero,
que morro porque não morro.
Só com a confiança
vivo na certeza de morrer,
porque, morrendo, o viver
me assegura a esperança.
Morte em que se alcança a vida,
não tardes, que te espero:
morro porque não morro.
Sobre a autora: Santa Teresa de Ávila (1515–1582) foi religiosa carmelita, grande mística e doutora da Igreja. Sua poesia expressa o amor a Deus e o desejo da união definitiva da alma com Ele.
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