segunda-feira, 29 de março de 2021

MEDITAÇÃO DE D. JAVIER ECHEVARRIA - SEGUNDA-FEIRA

 SEGUNDA-FEIRA SANTA: JESUS EM BETÂNIA



Ontem recordamos a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém. A multidão dos discípulos e outras pessoas aclamaram-no como Messias e Rei de Israel. No fim do dia, cansado, voltou a Betânia, aldeia situada muito próximo da capital, onde costumava alojar-se nas suas visitas a Jerusalém.

Ali, uma família amiga tinha sempre disponível um lugar para Ele e para os seus. Lázaro, a quem Jesus ressuscitou dos mortos, é o chefe da família; vivem com ele Marta e Maria, suas irmãs, que esperam cheias de entusiasmo a chegada do Mestre, contentes por poder oferecer-lhe os seus serviços.

Nos últimos dias da sua vida na terra, Jesus passa longas horas em Jerusalém, dedicado a uma pregação intensíssima. À noite, recupera as forças em casa dos seus amigos. E em Betânia tem lugar um episódio recolhido pelo Evangelho da Missa de hoje.

Seis dias antes da Páscoa – relata São João –, foi Jesus a Betânia. Ali lhe ofereceram uma ceia; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam com Ele à mesa. Maria tomou então uma libra de perfume de nardo autêntico, muito caro, ungiu os pés de Jesus com ele e enxugou-os com os seus cabelos, e a casa encheu-se com a fragrância do perfume.

Imediatamente salta à vista a generosidade desta mulher. Deseja manifestar o seu agradecimento ao Mestre, por ter devolvido a vida ao seu irmão e por tantos outros bens recebidos, e não repara em gastos. Judas, presente na cena, calcula exatamente o preço do perfume.

Mas, em vez de louvar a delicadeza de Maria, entregou-se à crítica: por que não se vendeu este perfume por trezentos denários para dá-los aos pobres? Na realidade, como faz notar São João, não lhe importavam os pobres; interessava-lhe ter acesso ao dinheiro da bolsa e furtar o seu conteúdo.

«Mas Jesus faz uma avaliação muito diferente», escreve João Paulo II. «sem nada tirar ao dever da caridade para com os necessitados, aos quais os discípulos sempre se hão-de dedicar– « Pobres, sempre os tereis convosco » (Jo 12, 8; cf. Mt 26, 11; Mc 14, 7) –, Ele pensa no momento já próximo da sua morte e sepultura, considerando a unção que Lhe foi feita como uma antecipação daquelas honras de que continuará a ser digno o seu corpo mesmo depois da morte, porque indissoluvelmente ligado ao mistério da sua pessoa.» (Ecclesia de Eucharistia, 47).

Para ser verdadeira virtude, a caridade deve estar ordenada. E o primeiro lugar é de Deus: amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é como este: amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. Por isso, equivocam-se os que – com a desculpa de aliviar as necessidades materiais dos homens – se desentendem das necessidades da Igreja e dos ministros sagrados. Escreve São Josemaria Escrivá: «aquela mulher que, em casa de Simão o leproso, em Betânia, unge com rico perfume a cabeça do Mestre, recorda-nos o dever de sermos magnânimos no culto de Deus.

– Todo o luxo, majestade e beleza me parecem pouco.

– E contra os que atacam a riqueza dos vasos sagrados, paramentos e retábulos, ouve-se o louvor de Jesus: "Opus enim bonum operata est in me" - uma boa obra fez para comigo.– uma boa obra foi feita comigo».

Quantas pessoas se comportam como Judas! Vêem o bem que fazem outros, mas não querem reconhecê-lo: empenham-se em descobrir intenções torcidas, tendem a criticar, a murmurar, a fazer juízos temerários. Reduzem a caridade ao puramente material – dar umas moedas ao necessitado, talvez para tranquilizar a sua consciência – e esquecem que – como escreve também São Josemaria Escrivá – «a caridade cristã não se limita a socorrer o necessitado de bens econômicos; leva-nos, antes de mais nada, a respeitar e a defender cada indivíduo enquanto tal, na sua intrínseca dignidade de homem e de filho do Criador».

A Virgem Maria entregou-se completamente ao Senhor e esteve sempre preocupada com os homens. Hoje pedimos-lhe que interceda por nós, para que, nas nossas vidas, o amor a Deus e o amor ao próximo se unam numa só coisa, como as duas faces de uma mesma moeda.

https://opusdei.org/pt-br/article/segunda-feira-santa/

domingo, 28 de fevereiro de 2021

ESCRAVIDÃO OU FILIAÇÃO DIVINA?

 

S. Josemaría Escrivá

(...) "a religião é a maior rebeldia do homem, que não tolera viver como um animal, que não se conforma - não sossega - enquanto não ganha intimidade e conhece o Criador. Quero-os rebeldes, livres de todos os laços, porque os quero - Cristo quer-nos! filhos de Deus. Escravidão ou filiação divina: eis o dilema da nossa vida. Ou filhos de Deus ou escravos da soberba, da sensualidade, desse egoísmo angustiante em que tantas almas parecem debater-se.

O amor de Deus marca o caminho da verdade, da justiça, do bem. Quando nos decidimos a responder a Nosso Senhor: a minha liberdade para Ti, encontramo-nos libertos de todas as cadeias que nos atavam a coisas sem importância, a preocupações ridículas, a ambições mesquinhas. E a liberdade - tesouro incalculável, pérola maravilhosa que seria triste lançar aos animais - emprega-se inteiramente em aprender a fazer o bem. 

Esta é a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Os cristãos amedrontados - coibidos ou invejosos - na sua conduta, perante a libertinagem dos que não aceitam a palavra de Deus, demonstram ter um conceito miserável de nossa fé. Se cumprirmos verdadeiramente a Lei de Cristo - se nos esforçarmos por cumpri-la, porque nem sempre o conseguiremos - descobrir-nos-emos dotados dessa maravilhosa elegância de espírito, que não precisa de ir buscar a outro sítio o sentido da mais plena dignidade humana.

A nossa fé não é uma carga, nem uma limitação. Que pobre ideia da verdade cristã manifestaria quem assim pensasse! Ao decidirmo-nos por Deus não perdemos nada; ganhamos tudo. Quem à custa da sua alma, conserva a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de Mim, voltará a achá-la"

(Amigos de Deus, ponto 38). 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

A CILADA DOS PROGRESSISTAS

 

Valter de Oliveira


O progressismo é forte corrente na Igreja em nossos dias. Avança de modo avassalador.

Seus adeptos devem estar se sentindo vitoriosos, protegidos. Defendem ousadamente pautas nada condizentes com o Magistério da Igreja. Em seus livros, em suas ações. 

Quando descobertos, criticados, o que fazem?

Vociferam: "vocês estão criticando a Igreja! Não se pode atacar a Igreja! É falta de respeito! Querem destruir a unidade! Não são caridosos!

Pior é que não só leigos, mas também padres e até bispos conservadores caíram na cilada. 

Nada disso senhores. Denunciar, criticar, combater o erro, nos termos e condições permitidas pelo próprio ensinamento católico, é obrigação de todo fiel consciente.

Assim fez Santo Atanásio ao combater Ario. Assim fizeram inúmeros santos ao combater hereges em toda a história da Igreja. 

Lembrando: hereges denunciados são aqueles que estão no seio da Igreja, são aqueles que de uma forma ou de outra, por palavras ou ações, negam pertinazmente as verdades de fé ensinadas pela Igreja. Verdades às quais temos a obrigação de assentir.

Criticar a estes não é falta de caridade ou de misericórdia. Não é falta de fraternidade.

Muito pelo contrário. 








quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

QUARESMA E APOSTOLADO



"Crescei em oração e penitência. Considerai que embora Deus não perca batalhas, embora o diabo não possa prevalecer, a Trindade Beatíssima, na Sua misericórdia infinita, conta no tempo, para essa Sua vitória definitiva, com a correspondência leal dos seus escolhidos, com a fidelidade dos que chamou desde a eternidade, conosco. Empenhai-vos comigo (…) em não A defraudar.

Para isso, rezai mais e melhor; trabalhai mais e melhor; lançai-vos mais e melhor a um apostolado sem pausas, decididos – dentro da fraqueza de cada um – a transformar todo o vosso dia em reparação, que é a maneira de amar de quem se sabe pecador. Sede ambiciosos cada dia; pedi graças ao Espírito Santo, por intercessão de Nossa Senhora, de São José, do nosso Fundador, para compensar tanta indiferença e tanta deserção entre os cristãos. Repetem-se novamente as cenas que tantas vezes lemos no Antigo Testamento: Deus escutar-nos-á e adiantará a hora da salvação desta nossa época, se encontra – ainda que sejamos poucos em proporção – homens de fé, mulheres de fé, que se dirigem à Sua infinita misericórdia cheios também de esperança, de amor.

Uns poucos! Parece-me escutar aquela exclamação que, para a vida espiritual, se cumpre à letra: dai-Me um ponto de apoio e removerei o mundo. É um grito que o Senhor nos dirige a cada um, para salvar esta humanidade, que tão empenhada corre a fugir de Deus.

O Senhor mantém esse diálogo agora convosco e comigo. São os cristãos, és tu (…), o ponto de apoio de que Deus quer necessitar para que a alavanca da Sua graça remova e santifique o ambiente." (Carta, 1-III-1976, 14)

D. Álvaro del Portillo