terça-feira, 20 de dezembro de 2011

UM DIA DE NATAL

Sonia Rosalia Refosco de Oliveira




Nasceu o Menino em Belém. O céu ficou mais azul. A Estrela brilha me mostrando o caminho a seguir. Lá estou eu. Observo a cena mais linda que alguém poderia esperar. Por um instante não me atrevo a aproximar-me, tenho receio de ferir a beleza daquele momento com o meu pequeno "eu".


De onde estou, no meu cantinho escondido, posso ver a ternura no olhar de José, a doçura de Maria e a paz do Menino Jesus. Sei que sou atrevido, mas não consigo ficar longe. Preciso, sinto necessidade daquela ternura, daquela doçura e porque não dizer, de toda aquela paz. Quero segurar o bebê em meus braços. Mas... sou tão indigno, tão pequeno... O que posso fazer?


Maria Menina, Maria Doçura, Maria Mãe entende o meu olhar e me oferece, com a pureza do sorriso mais sincero, o Menino Jesus. Maria, minha Mãe, deixou-me segura-Lo, acaricia-Lo, beija-Lo.


Agora eu sei que posso encontrar o Menino nos braços de Sua Mãe todas as vezes que, por tristeza minha, vier a perde-Lo. E Ela que me ama loucamente, permitirá segura-Lo em meus braços sempre que dEla eu me aproximar.



E quando Maria estiver cansada, ajudo José a embalar o Menino. E se você quiser vir comigo, venha! Cantaremos canções de ninar e O beijaremos muito até que adormeça!!!



Um Feliz Natal e um Ano Novo repleto das mais grandiosas graças. São os sinceros desejos da equipe Olivereduc.


Abaixo segue um vídeo como presente de Natal a todos os nossos amigos.



video

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O PAPA E A TRISTE DIVISÃO DOS CATÓLICOS












Valter de Oliveira



Em 12 de março de 2009 o Papa Bento XVI enviou aos bispos do mundo carta na qual explicava as razões “da remissão da excomunhão aos quatro bispos consagrados pelo arcebispo Lefebvre” em 1988. Carta necessária porque a atitude do pontífice “por várias razões suscitou, dentro e fora da Igreja Católica, uma discussão de tal veemência como desde há muito não se tinha experiência”.

O objetivo do artigo de hoje não é a discussão sobre o movimento tradicionalista ou da atitude da Santa Sé a propósito dele. Queremos discutir apenas um ponto destacado na carta: a surpresa do Papa que, ao dar um passo no sentido da reconciliação, viu se desencadear contra ele “uma avalanche de protestos cujo azedume revelava feridas que remontavam mais além do momento”. Tudo porque, devido ao episódio Williamson, “o gesto discreto de misericórdia (...) apareceu como algo completamente diverso: como um desmentido da reconciliação entre cristãos e judeus”. A esse propósito o Papa conta como sentiu as críticas:


"Fiquei triste pelo fato de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste."


Quem teria atacado Bento XVI “de lança em riste”? Não sabemos. Não creio ser temerário supor que devem ser pessoas de alta autoridade na Igreja. Tampouco devem ter sido apenas alguns.

O que nos importa aqui, como já dissemos, é como de tais ataques a carta aproveita para mostrar aos católicos a necessidade de nossa união e da compreensão das prioridades da missão do Santo Padre e da Igreja.

A primeira prioridade para o Sucessor de Pedro foi fixada pelo Senhor, no Cenáculo, de maneira inequivocável: «Tu (…) confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32). (...) a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.

Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequência lógica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De fato, a sua desunião, a sua contraposição interna põe em dúvida a credibilidade do seu falar de Deus.

Em conclusão, se o árduo empenho em prol da fé, da esperança e do amor no mundo constitui neste momento (e, de formas diversas, sempre) a verdadeira prioridade para a Igreja, então fazem parte dele também as pequenas e médias reconciliações. O fato que o gesto submisso duma mão estendida tenha dado origem a um grande rumor, transformando-se precisamente assim no contrário duma reconciliação é um dado que devemos registrar. Mas eu pergunto agora: Verdadeiramente era e é errado ir, mesmo neste caso, ao encontro do irmão que «tem alguma coisa contra ti» (cf. Mt 5, 23s) e procurar a reconciliação? Não deve porventura a própria sociedade civil tentar prevenir as radicalizações e reintegrar os seus eventuais aderentes – na medida do possível – nas grandes forças que plasmam a vida social, para evitar a segregação deles com todas as suas consequências? Poderá ser totalmente errado o fato de se empenhar na dissolução de endurecimentos e de restrições, de modo a dar espaço a quanto nisso haja de positivo e de recuperável para o conjunto?


Em suma, temos ao nosso redor bilhões de homens a quem temos o dever de levar a Boa Nova. Nós o fazemos? Ou nos perdemos em lutas menores (ainda que importantes) e nos enrijecemos em nossas posições? Será que usamos corretamente o grande dom da liberdade que nos é dado por Deus? Quando absolutizamos nossos grupos ou tendências não corremos o risco de cair, queiramos ou não, na tentação sectária? O Papa, que nos convida a “arrastar para fora as mesquinharias”, explica-nos um texto de São Paulo:

Amados Irmãos, nos dias em que me veio à mente escrever-vos esta carta, deu-se o caso de, no Seminário Romano, ter de interpretar e comentar o texto de Gal 5, 13-15. Notei com surpresa o caráter imediato com que estas frases nos falam do momento actual: «Não abuseis da liberdade como pretexto para viverdes segundo a carne; mas, pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a lei se resume nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros».

O Papa continua:

Sempre tive a propensão de considerar esta frase como um daqueles exageros retóricos que às vezes se encontram em São Paulo. E, sob certos aspectos, pode ser assim. Mas, infelizmente, este «morder e devorar» existe também hoje na Igreja como expressão duma liberdade mal interpretada. Porventura será motivo de surpresa saber que nós também não somos melhores do que os Gálatas? Que pelo menos estamos ameaçados pelas mesmas tentações? Que temos de aprender sempre de novo o recto uso da liberdade? E que devemos aprender sem cessar a prioridade suprema: o amor?"


É bem verdade que se pode dizer que em nome da liberdade muitos erros são defendidos e propagados, inclusive no seio da Igreja. Temos também a obrigação da vigilância. Entretanto temos que ter também o bom senso de saber aglutinar tudo o que há de bom dentro da Santa Igreja de Cristo para defende-la e temos que afervorar o espírito apostólico. Em vários meios, mesmo fora da Igreja, há uma incontável multidão que, apesar das dificuldades, anseia pela verdade e pelo bem plenos. Multidão que quer não apenas ouvir belas palavras, quer ver exemplos de amor e coerência. Ela nada terá, como diz o Papa, enquanto olharmos apenas para nós mesmos. Não esqueçamos: estão nos pedindo pão. Não lhes demos pedras.


O Papa termina invocando Nossa Senhora da Confiança.

“É ela quem nos conduz a Cristo” . Lembremo-nos disso. É Ele a fonte do verdadeiro amor e da verdadeira paz, que está sempre, docemente, misericordiosamente, esperando por nós.



sábado, 16 de julho de 2011

NOSSAS MISÉRIAS E NOSSAS GRANDEZAS






Valter de Oliveira




Quando eu era jovem fiz uma meditação – baseada nos Exercícios Espirituais de S. Inácio de Loyola – sobre a humildade. Lembro-me ainda hoje de uma frase de S. Bernardo:


“Que éramos? Nada. Que somos? Vaso de imundícies. Que seremos? Pasto de vermes”.


Mais ou menos na mesma época tive várias aulas sobre o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, escrito por S. Luis de Montfort. O objetivo era fazermos a Consagração à Virgem como a propunha o grande santo que ensina que, para sermos fiéis filhos de Maria temos que “despojar-nos do que há de mau em nós. E não é pouca coisa.

“Toda a nossa herança é orgulho e cegueira no espírito, endurecimento no coração, fraqueza e inconstância na alma, concupiscência, paixões revoltadas e doenças no corpo. Somos, naturalmente, mais orgulhosos que os pavões, mais apegados à terra que os sapos, mais feios que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais glutões que os porcos, mais coléricos que os tigres e mais preguiçosos que as tartarugas, mais fracos que os caniços, e mais inconstantes do que um catavento. Tudo que temos em nosso íntimo é nada e pecado, e só merecemos a ira de Deus e o inferno eterno”. (1)

Hoje, passados mais de 40 anos, ainda me recordo vivamente dessas leituras. Um leitor moderno talvez as julgue exageradas e pessimistas. Eram santos que teriam uma visão negativista do homem e do mundo...

Entretanto, um outro homem de Deus, bem próximo de nós, S. Josemaria Escrivá, homem de otimismo e bom humor nos diz:

“Teu maior inimigo és tu mesmo”

E ainda:

“Se és tão miserável, como estranhas que os outros tenham misérias?”

Finalmente:

“Não te aflijas por verem as tuas faltas. A ofensa a Deus e a desedificação que podes ocasionar, isso é o que deve afligir.

-De resto, que saibam como és e te desprezem. – Não tenhas pena de ser nada, porque assim Jesus tem que por tudo em ti”. (2).

Toda essa miséria, tão profunda, aflora ainda mais em nós cada vez que nos envolvemos em certas questões que exigem de nós verdadeiro espírito cristão para agirmos com prudência e fortaleza, justiça e caridade. Às vezes são momentos de crise. Uma crise “não deve ser escamoteada, seja ela de que nível for, sob pena de continuarmos escravos da menoridade. (...) Crise tem o significado de alteração. Seu sentido mais pleno é o da purificação”. (3)

Aí vemos como é difícil ser o que deveríamos ser.

Razão para pessimismo?

Nem de longe. Ferir-se faz parte da luta. Nosso despreparo não nos exime dela.

Nesses momentos, apesar de tudo, é preciso lembrar das palavras do primeiro Papa:

“... vós sois a Geração Eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo escolhido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. (4)

Em suma, somos nada, pouca coisa que Deus quer fazendo grandes coisas.

Afinal, somos filhos de Deus. De um Deus Menino que se encarnou por nós e nos ama infinitamente. Que não se cansa de nós. Que nos quer sempre a seu lado.

A gratidão para com Deus exige que abramos nossas almas. Assim nosso nada passa a ser tudo. E tudo passa a ser razão de alegria!


Notas:

1. S. Luis Maria Grignion de Montfort. Tratado da Verdadeira Devoção a Nossa Senhora, XI edição. Vozes, Petrópolis, 1981, p.84)

2. S. Josemaria Escrivá. Caminho, 225, 446, 597. Quadrante, São Paulo, 1995.

3. PAIVA, Vanildo de. Filosofia, Encantamento e Caminho, São Paulo, Paulus, 2002. p.38,39.

4. I Pedro 2:9