Claravalcister (V.O.)
No catecismo da primeira comunhão, aquele ensinado às crianças, encontramos a pergunta: 'Por que existimos?" Aí lemos a resposta simples e direta: "Existimos para conhecer, amar e servir a Deus nesta vida, para sermos felizes com Ele para sempre na vida eterna (no Céu).
Então, nos
era explicado:
- Conhecer:
Podíamos conhecer a Deus, de modo indireto, pelas criaturas. Pela ordem e
beleza de todo o Universo pois são imagens de Deus. Depois, de modo principal,
A Revelação.
- Amar.
Temos que amar a Deus sobre todas as coisas. E amar nosso próximo como a nós
mesmos.
- Servir:
Como? Fazendo a vontade de Deus, como aprendemos no Pai Nosso. Fazemos Sua
santa vontade quando seguimos com amor os mandamentos. Não sei se as crianças
entendiam bem, mas o que está dito é que nossa comunhão com Deus já começa aqui
na Terra e se completa, com perfeição no Céu.
Das
lembranças de minha infância passo para a meditação do dia de hoje que está no
site do Opus Dei. Ela explica como a Revelação, na bela linguagem de santos e teólogos, nos ajuda a entender como viver unidos a Cristo.
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O Evangelho
nos conta que as multidões, depois do milagre da multiplicação dos pães,
subiram em barcas e foram procurar Cristo em Cafarnaum. Pelo portentoso milagre
que praticara sabiam que Ele era um profeta em especial. "Mas o senhor
rapidamente aproveita a oportunidade para purificar gradualmente (o interesse
do povo) e convidá-lo a elevar o olhar. Não se tratava de seguir um taumaturgo
que lhes desse alimento diário, mas de buscar a vida eterna, de procurar a
salvação". Jesus disse: "Em verdade, em verdade eu vos digo: estais
me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes
satisfeitos" (Jo 6,26).
Procuravam
Cristo realmente por amor? Ou havia algo imperfeito?
Santo
Agostinho, meditando sobre o Evangelho de São João, pergunta se a multidão não
“'O procurava por razões carnais e não espirituais". "Quantos há que
procuram Jesus guiados apenas por interesses temporais!"
Pergunta
que vale para o povo que ali estava e vale para cada um de nós. O que realmente
procuramos?
A meditação
de hoje continua:
"AQUELES admiradores de Jesus, por estarem focados apenas em seus interesses pessoais, não perceberam que estavam diante do enviado de Deus. “Não compreenderam que aquele pão, partido para tantos, para muitos, era a expressão do amor do próprio Jesus. Deram mais valor àquele pão do que ao seu doador”[3]. Mas Jesus aproveitou o seu interesse para orientar seus desejos: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo” (Jo 6,27). Introduziu assim o grande tema de todo o capítulo do Evangelho que a liturgia da Igreja nos propõe durante esta semana: a Eucaristia.
A seguir Cristo prepara o
terreno para aprofundar sua pregação. “Perguntaram: Que devemos fazer para
realizar as obras de Deus?” (Jo 6,28).
“De acordo com a mentalidade da
época, as pessoas que estavam ouvindo Jesus pensavam que deveriam observar
práticas religiosas para merecer o alimento milagroso. O Senhor os surpreendeu
com a sua resposta: “A obra de Deus é esta: que acrediteis naquele que ele
enviou” (Jo 6,29). A obra de Deus é acreditar. A prioridade é da graça, e não
das nossas ações. “Hoje, estas palavras são
dirigidas também a nós: a obra de Deus não consiste tanto em ‘fazer’ coisas,
mas em ‘acreditar’ n’Aquele que Ele enviou. Isto significa que a fé em Jesus
nos permite cumprir as obras de Deus. Se nos deixarmos arrebatar por esta
relação de amor e de confiança com Jesus, seremos capazes de realizar boas
obras que têm o perfume do Evangelho, para o bem e as necessidades dos irmãos”[4].
“A obra de Deus é esta: que
acrediteis naquele que ele enviou” (Jo 6,29). A chave da nossa fé está na plena
confiança na graça de Deus. “O centro da existência, aquilo que dá sentido e
esperança firme ao caminho muitas vezes difícil da vida é a fé em Jesus, o
encontro com Cristo (...). A fé é o elemento fundamental. Não se trata aqui de
seguir uma ideia, um programa, mas de encontrar Jesus como uma Pessoa viva, de
se deixar comprometer totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a
não se limitar ao horizonte puramente humano e a abrir-se ao horizonte de Deus,
ao horizonte da fé”[5].
nossa fé está na plena confiança na graça de
Deus. “O centro da existência, aquilo que dá sentido e esperança firme ao
caminho muitas vezes difícil da vida é a fé em Jesus, o encontro com Cristo
(...). A fé é o elemento fundamental. Não se trata aqui de seguir uma ideia, um
programa, mas de encontrar Jesus como uma Pessoa viva, de se deixar comprometer
totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não se limitar ao
horizonte puramente humano e a abrir-se ao horizonte de Deus, ao horizonte da
fé”[5].
“A OBRA DE DEUS é esta: que acrediteis naquele
que ele enviou” (Jo 6,29). “Mas Jesus
recorda-nos que o verdadeiro significado da nossa existência terrena consiste
no fim, na eternidade, consiste no encontro com Ele, que é dom e doador, e
recorda-nos também que a história humana com os seus sofrimentos e as suas
alegrias deve ser considerada num horizonte de eternidade, ou seja,
no horizonte do encontro definitivo com Ele. E este encontro ilumina todos os
dias da nossa vida”[6].
De fato, a fé nos aproxima do ponto de vista
de Deus, da “mente de Cristo” (1 Cor 2,16), para podermos ler e entender tudo a
partir daí. Por isso, a fé não é um simples conteúdo teórico para confessar ou
pregar. Ela se manifesta, antes de tudo, na vida cotidiana de quem acredita,
pois essa luz mostra o sentido da vida, ilumina a existência pessoal e
comunitária com a perspectiva de Deus. A fé, ao descobrir a possibilidade de se
associar aos desígnios providentes de Deus, torna-se operativa, “opera pela
caridade” (Gal 5,6). “Fé com obras, fé com
sacrifício, fé com humildade”[7], dizia São Josemaria. A fé me move a ver as coisas com o
pensamento de Cristo? Procuro descobrir a relação que a realidade em que vivo
tem com os planos de Deus, especialmente a partir da Sagrada Escritura?
Dirijamo-nos a Jesus como o personagem do
Evangelho que lhe rogava: “Creio! Vem em socorro à minha falta de fé!” (Mc
9,24). Digamos também a ele: “Senhor, eu
creio! Mas ajuda-me, para que creia mais e melhor! E dirigimos igualmente esta
súplica a Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, Mestra de fé: Bem-aventurada tu
que creste, porque se cumprirão as coisas que te foram ditas da parte do
Senhor”[8].
[1] Santo
Agostinho, Tratado sobre o evangelho de São João, 25,10.
[2] Francisco,
Meditação matutina, 5/05/2014.
[3] Francisco,
Ângelus, 2/08/2015.
[4] Francisco,
Ângelus, 5/08/2018.
[5] Bento
XVI, Ângelus, 5/08/2012.
[6] Francisco,
Ângelus, 2/08/2015.
[7] São
Josemaria, Amigos de Deus, n. 203.
[8] São
Josemaria, Amigos de Deus, n. 204.
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