segunda-feira, 20 de abril de 2026

A FÉ E O ENCONTRO COM CRISTO

Claravalcister (V.O.)



No catecismo da primeira comunhão, aquele ensinado às crianças, encontramos a pergunta: 'Por que existimos?" Aí lemos a resposta simples e direta: "Existimos para conhecer, amar e servir a Deus nesta vida, para sermos felizes com Ele para sempre na vida eterna (no Céu).

Então, nos era explicado:

- Conhecer: Podíamos conhecer a Deus, de modo indireto, pelas criaturas. Pela ordem e beleza de todo o Universo pois são imagens de Deus. Depois, de modo principal, A Revelação.

- Amar. Temos que amar a Deus sobre todas as coisas. E amar nosso próximo como a nós mesmos.

- Servir: Como? Fazendo a vontade de Deus, como aprendemos no Pai Nosso. Fazemos Sua santa vontade quando seguimos com amor os mandamentos. Não sei se as crianças entendiam bem, mas o que está dito é que nossa comunhão com Deus já começa aqui na Terra e se completa, com perfeição no Céu.

Das lembranças de minha infância passo para a meditação do dia de hoje que está no site do Opus Dei. Ela explica como a Revelação, na bela linguagem de santos e teólogos, nos ajuda a entender como viver unidos a Cristo. 

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O Evangelho nos conta que as multidões, depois do milagre da multiplicação dos pães, subiram em barcas e foram procurar Cristo em Cafarnaum. Pelo portentoso milagre que praticara sabiam que Ele era um profeta em especial. "Mas o senhor rapidamente aproveita a oportunidade para purificar gradualmente (o interesse do povo) e convidá-lo a elevar o olhar. Não se tratava de seguir um taumaturgo que lhes desse alimento diário, mas de buscar a vida eterna, de procurar a salvação". Jesus disse: "Em verdade, em verdade eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos" (Jo 6,26). 

Procuravam Cristo realmente por amor? Ou havia algo imperfeito? 

Santo Agostinho, meditando sobre o Evangelho de São João, pergunta se a multidão não “'O procurava por razões carnais e não espirituais". "Quantos há que procuram Jesus guiados apenas por interesses temporais!"

Pergunta que vale para o povo que ali estava e vale para cada um de nós. O que realmente procuramos?

A meditação de hoje continua: 

"AQUELES admiradores de Jesus, por estarem focados apenas em seus interesses pessoais, não perceberam que estavam diante do enviado de Deus. “Não compreenderam que aquele pão, partido para tantos, para muitos, era a expressão do amor do próprio Jesus. Deram mais valor àquele pão do que ao seu doador”[3]. Mas Jesus aproveitou o seu interesse para orientar seus desejos: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo” (Jo 6,27). Introduziu assim o grande tema de todo o capítulo do Evangelho que a liturgia da Igreja nos propõe durante esta semana: a Eucaristia.

A seguir Cristo prepara o terreno para aprofundar sua pregação. “Perguntaram: Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” (Jo 6,28).

“De acordo com a mentalidade da época, as pessoas que estavam ouvindo Jesus pensavam que deveriam observar práticas religiosas para merecer o alimento milagroso. O Senhor os surpreendeu com a sua resposta: “A obra de Deus é esta: que acrediteis naquele que ele enviou” (Jo 6,29). A obra de Deus é acreditar. A prioridade é da graça, e não das nossas ações. “Hoje, estas palavras são dirigidas também a nós: a obra de Deus não consiste tanto em ‘fazer’ coisas, mas em ‘acreditar’ n’Aquele que Ele enviou. Isto significa que a fé em Jesus nos permite cumprir as obras de Deus. Se nos deixarmos arrebatar por esta relação de amor e de confiança com Jesus, seremos capazes de realizar boas obras que têm o perfume do Evangelho, para o bem e as necessidades dos irmãos”[4].

“A obra de Deus é esta: que acrediteis naquele que ele enviou” (Jo 6,29). A chave da nossa fé está na plena confiança na graça de Deus. “O centro da existência, aquilo que dá sentido e esperança firme ao caminho muitas vezes difícil da vida é a fé em Jesus, o encontro com Cristo (...). A fé é o elemento fundamental. Não se trata aqui de seguir uma ideia, um programa, mas de encontrar Jesus como uma Pessoa viva, de se deixar comprometer totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não se limitar ao horizonte puramente humano e a abrir-se ao horizonte de Deus, ao horizonte da fé”[5].

nossa fé está na plena confiança na graça de Deus. “O centro da existência, aquilo que dá sentido e esperança firme ao caminho muitas vezes difícil da vida é a fé em Jesus, o encontro com Cristo (...). A fé é o elemento fundamental. Não se trata aqui de seguir uma ideia, um programa, mas de encontrar Jesus como uma Pessoa viva, de se deixar comprometer totalmente por Ele e pelo seu Evangelho. Jesus convida a não se limitar ao horizonte puramente humano e a abrir-se ao horizonte de Deus, ao horizonte da fé”[5].


“A OBRA DE DEUS é esta: que acrediteis naquele que ele enviou” (Jo 6,29). “Mas Jesus recorda-nos que o verdadeiro significado da nossa existência terrena consiste no fim, na eternidade, consiste no encontro com Ele, que é dom e doador, e recorda-nos também que a história humana com os seus sofrimentos e as suas alegrias deve ser considerada num horizonte de eternidade, ou seja, no horizonte do encontro definitivo com Ele. E este encontro ilumina todos os dias da nossa vida”[6].

De fato, a fé nos aproxima do ponto de vista de Deus, da “mente de Cristo” (1 Cor 2,16), para podermos ler e entender tudo a partir daí. Por isso, a fé não é um simples conteúdo teórico para confessar ou pregar. Ela se manifesta, antes de tudo, na vida cotidiana de quem acredita, pois essa luz mostra o sentido da vida, ilumina a existência pessoal e comunitária com a perspectiva de Deus. A fé, ao descobrir a possibilidade de se associar aos desígnios providentes de Deus, torna-se operativa, “opera pela caridade” (Gal 5,6). “Fé com obras, fé com sacrifício, fé com humildade”[7], dizia São Josemaria. A fé me move a ver as coisas com o pensamento de Cristo? Procuro descobrir a relação que a realidade em que vivo tem com os planos de Deus, especialmente a partir da Sagrada Escritura?

Dirijamo-nos a Jesus como o personagem do Evangelho que lhe rogava: “Creio! Vem em socorro à minha falta de fé!” (Mc 9,24). Digamos também a ele: “Senhor, eu creio! Mas ajuda-me, para que creia mais e melhor! E dirigimos igualmente esta súplica a Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, Mestra de fé: Bem-aventurada tu que creste, porque se cumprirão as coisas que te foram ditas da parte do Senhor”[8].


[1] Santo Agostinho, Tratado sobre o evangelho de São João, 25,10.

[2] Francisco, Meditação matutina, 5/05/2014.

[3] Francisco, Ângelus, 2/08/2015.

[4] Francisco, Ângelus, 5/08/2018.

[5] Bento XVI, Ângelus, 5/08/2012.

[6] Francisco, Ângelus, 2/08/2015.

[7] São Josemaria, Amigos de Deus, n. 203.

[8] São Josemaria, Amigos de Deus, n. 204.

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